quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Uma leitura enriquecedora... EGO

EGO, O FALSO CENTRO
"O primeiro ponto a ser compreendido é o ego.
Uma criança nasce sem qualquer conhecimento, sem qualquer consciência de seu próprio eu. E quando uma criança nasce, a primeira coisa da qual ela se torna consciente não é ela mesma; a primeira coisa da qual ela se torna consciente é o outro. Isso é natural, porque os olhos se abrem para fora, as mãos tocam os outros, os ouvidos escutam os outros, a língua saboreia a comida e o nariz cheira o exterior. Todos esses sentidos abrem-se para fora. O nascimento é isso.
Nascimento significa vir a esse mundo: o mundo exterior. Assim, quando uma criança nasce, ela nasce nesse mundo. Ela abre os olhos e vê os outros. O outro significa o tu.
Ela primeiro se torna consciente da mãe. Então, pouco a pouco, ela se torna consciente de seu próprio corpo. Esse também é o 'outro', também pertence ao mundo. Ela está com fome e passa a sentir o corpo; quando sua necessidade é satisfeita, ela esquece o corpo. É dessa maneira que a criança cresce.
Primeiro ela se torna consciente do você, do tu, do outro, e então, pouco a pouco, contrastando com você, com tu, ela se torna consciente de si mesma.
Essa consciência é uma consciência refletida. Ela não está consciente de quem ela é. Ela está simplesmente consciente da mãe e do que ela pensa a seu respeito. Se a mãe sorri, se a mãe aprecia a criança, se diz 'você é bonita', se ela a abraça e a beija, a criança sente-se bem a respeito de si mesma. Assim, um ego começa a nascer.
Através da apreciação, do amor, do cuidado, ela sente que é ela boa, ela sente que tem valor, ela sente que tem importância. Um centro está nascendo. Mas esse centro é um centro refletido. Ele não é o ser verdadeiro. A criança não sabe quem ela é; ela simplesmente sabe o que os outros pensa a seu respeito.
E esse é o ego: o reflexo, aquilo que os outros pensam. Se ninguém pensa que ela tem alguma utilidade, se ninguém a aprecia, se ninguém lhe sorri, então, também, um ego nasce - um ego doente, triste, rejeitado, como uma ferida, sentindo-se inferior, sem valor. Isso também é ego. Isso também é um reflexo.
Primeiro a mãe. A mãe, no início, significa o mundo. Depois os outros se juntarão à mãe, e o mundo irá crescendo. E quanto mais o mundo cresce, mais complexo o ego se torna, porque muitas opiniões dos outros são refletidas.
O ego é um fenômeno cumulativo, um subproduto do viver com os outros. Se uma criança vive totalmente sozinha, ela nunca chegará a desenvolver um ego. Mas isso não vai ajudar. Ela permanecerá como um animal. Isso não significa que ela virá a conhecer o seu verdadeiro eu, não.
O verdadeiro só pode ser conhecido através do falso, portanto, o ego é uma necessidade. Temos que passar por ele. Ele é uma disciplina. O verdadeiro só pode ser conhecido através da ilusão. Você não pode conhecer a verdade diretamente. Primeiro você tem que conhecer aquilo que não é verdadeiro. Primeiro você tem que encontrar o falso. Através desse encontro, você se torna capaz de conhecer a verdade. Se você conhece o falso como falso, a verdade nascerá em você.
O ego é uma necessidade; é uma necessidade social, é um subproduto social. A sociedade significa tudo o que está ao seu redor, não você, mas tudo aquilo que o rodeia. Tudo, menos você, é a sociedade. E todos refletem. Você irá à escola e o professor refletirá quem você é. Você fará amizade com as outras crianças e elas refletirão quem você é. Pouco a pouco, todos estarão adicionando algo ao seu ego, e todos estarão tentando modificá-lo, de modo que você não se torne um problema para a sociedade.
Eles não estão interessados em você. Eles estão interessados na sociedade. A sociedade está interessada nela mesma, e é assim que deveria ser. Eles não estão interessados no fato de que você deveria se tornar um conhecedor de si mesmo. Interessa-lhes que você se torne uma peça eficiente no mecanismo da sociedade. Você deveria ajustar-se ao padrão.
Assim, estão interessados em dar-lhe um ego que se ajuste à sociedade. Ensinam-lhe a moralidade. Moralidade significa dar-lhe um ego que se ajuste à sociedade. Se você for imoral, você será sempre um desajustado em um lugar ou outro...
Moralidade significa simplesmente que você deve se ajustar à sociedade. Se a sociedade estiver em guerra, a moralidade muda. Se a sociedade estiver em paz, existe uma moralidade diferente. A moralidade é uma política social. É diplomacia. E toda criança deve ser educada de tal forma que ela se ajuste à sociedade; e isso é tudo, porque a sociedade está interessada em membros eficientes. A sociedade não está interessada no fato de que você deveria chegar ao auto-conhecimento.
A sociedade cria um ego porque o ego pode ser controlado e manipulado. O eu nunca pode ser controlado e manipulado. Nunca se ouviu dizer que a sociedade estivesse controlando o eu - não é possível.
E a criança necessita de um centro; a criança está absolutamente inconsciente de seu próprio centro. A sociedade lhe dá um centro e a criança pouco a pouco fica convencida de que esse é o seu centro, o ego dado pela sociedade.
Uma criança volta para casa. Se ela foi o primeiro lugar de sua sala, a família inteira fica feliz. Você a abraça e beija; você a coloca sobre os ombros e começa a dançar e diz 'que linda criança! você é um motivo de orgulho para nós.' Você está dando um ego para ela, um ego sutil. E se a criança chega em casa abatida, fracassada, foi um fiasco na sala - ela não passou de ano ou tirou o último lugar, então ninguém a aprecia e a criança se sente rejeitada. Ela tentará com mais afinco na próxima vez, porque o centro se sente abalado.
O ego está sempre abalado, sempre à procura de alimento, de alguém que o aprecie. E é por isso que você está continuamente pedindo atenção.
Você obtém dos outros a idéia de quem você é. Não é uma experiência direta.
É dos outros que você obtém a idéia de quem você é. Eles modelam o seu centro. Mas esse centro é falso, enquanto que o centro verdadeiro está dentro de você. O centro verdadeiro não é da conta de ninguém.
Ninguém o modela. Você vem com ele. Você nasce com ele.
Assim, você tem dois centros. Um centro com o qual você vem, que lhe é dado pela própria existência. Esse é o eu. E o outro centro, que é criado pela sociedade - o ego. Esse é algo falso - é um grande truque. Através do ego a sociedade está controlando você. Você tem que se comportar de uma certa maneira, porque somente assim a sociedade irá apreciá-lo. Você tem que caminhar de uma certa maneira; você tem que rir de uma certa maneira; você tem que seguir determinadas condutas, uma moralidade, um código. Somente assim a sociedade o apreciará, e se ela não o fizer, o seu ego ficará abalado. E quando o ego fica abalado, você já não sabe onde está, você já não sabe quem você é.
Os outros deram-lhe a idéia. E essa idéia é o ego. Tente entendê-lo o mais profundamente possível, porque ele tem que ser jogado fora. E a não ser que você o jogue fora, nunca será capaz de alcançar o eu. Por estar viciado no falso centro, você não pode se mover, e você não pode olhar para o eu. E lembre-se: vai haver um período intermediário, um intervalo, quando o ego estará se despedaçando, quando você não saberá quem você é, quando você não saberá para onde está indo; quando todos os limites se dissolverão. Você estará simplesmente confuso, um caos.
Devido a esse caos, você tem medo de perder o ego. Mas tem que ser assim. Temos que passar através do caos antes de atingir o centro verdadeiro. E se você for ousado, o período será curto. Se você for medroso e novamente cair no ego, e novamente começar a ajeitá-lo, então, o período pode ser muito, muito longo; muitas vidas podem ser desperdiçadas...
Até mesmo o fato de ser infeliz lhe dá a sensação de "eu sou". Afastando-se do que é conhecido, o medo toma conta; você começa sentir medo da escuridão e do caos - porque a sociedade conseguiu clarear uma pequena parte de seu ser... É o mesmo que penetrar numa floresta. Você faz uma pequena clareira, você limpa um pedaço de terra, você faz um cercado, você faz uma pequena cabana; você faz um pequeno jardim, um gramado, e você sente-se bem. Além de sua cerca - a floresta, a selva. Mas aqui dentro tudo está bem: você planejou tudo.
Foi assim que aconteceu. A sociedade abriu uma pequena clareira em sua consciência. Ela limpou apenas uma pequena parte completamente, e cercou-a. Tudo está bem ali. Todas as suas universidades estão fazendo isso. Toda a cultura e todo o condicionamento visam apenas limpar uma parte, para que ali você possa se sentir em casa.
E então você passa a sentir medo. Além da cerca existe perigo.
Além da cerca você é, tal como você é dentro da cerca - e sua mente consciente é apenas uma parte, um décimo de todo o seu ser. Nove décimos estão aguardando no escuro. E dentro desses nove décimos, em algum lugar, o seu centro verdadeiro está oculto.
Precisamos ser ousados, corajosos. Precisamos dar um passo para o desconhecido.
Por um certo tempo, todos os limite ficarão perdidos. Por um certo tempo, você vai se sentir atordoado. Por um certo tempo, você vai se sentir muito amedrontado e abalado, como se tivesse havido um terremoto.
Mas se você for corajoso e não voltar para trás, se você não voltar a cair no ego, mas for sempre em frente, existe um centro oculto dentro de você, um centro que você tem carregado por muitas vidas. Esse centro é a sua alma, o eu.
Uma vez que você se aproxime dele, tudo muda, tudo volta a se assentar novamente. Mas agora esse assentamento não é feito pela sociedade. Agora, tudo se torna um cosmos e não um caos, nasce uma nova ordem. Mas essa não é a ordem da sociedade - essa é a própria ordem da existência.
É o que Buda chama de Dhamma, Lao Tzu chama de Tao, Heráclito chama de Logos. Não é feita pelo homem. É a própria ordem da existência. Então, de repente tudo volta a ficar belo, e pela primeira vez, realmente belo, porque as coisas feitas pelo homem não podem ser belas. No máximo você pode esconder a feiúra delas, isso é tudo. Você pode enfeitá-las, mas elas nunca podem ser belas...
O ego tem uma certa qualidade: a de que ele está morto. Ele é de plástico. E é muito fácil obtê-lo, porque os outros o dão a você. Você não precisa procurar por ele; a busca não é necessária. Por isso, a menos que você se torne um buscador à procura do desconhecido, você ainda não terá se tornado um indivíduo. Você é simplesmente mais um na multidão. Você é apenas uma turba. Se você não tem um centro autêntico, como pode ser um indivíduo?
O ego não é individual. O ego é um fenômeno social - ele é a sociedade, não é você. Mas ele lhe dá um papel na sociedade, uma posição na sociedade. E se você ficar satisfeito com ele, você perderá toda a oportunidade de encontrar o eu. E por isso você é tão infeliz. Como você pode ser feliz com uma vida de plástico? Como você pode estar em êxtase ser bem-aventurado com uma vida falsa? E esse ego cria muitos tormentos. O ego é o inferno. Sempre que você estiver sofrendo, tente simplesmente observar e analisar, e você descobrirá que, em algum lugar, o ego é a causa do sofrimento. E o ego segue encontrando motivos para sofrer...
E assim as pessoas se tornam dependentes, umas das outras. É uma profunda escravidão. O ego tem que ser um escravo. Ele depende dos outros. E somente uma pessoa que não tenha ego é, pela primeira vez, um mestre; ele deixa de ser um escravo.
Tente entender isso. E comece a procurar o ego - não nos outros, isso não é da sua conta, mas em você. Toda vez que se sentir infeliz, imediatamente feche os olhos e tente descobrir de onde a infelicidade está vindo, e você sempre descobrirá que o falso centro entrou em choque com alguém.
Você esperava algo e isso não aconteceu. Você espera algo e justamente o contrário aconteceu - seu ego fica estremecido, você fica infeliz. Simplesmente olhe, sempre que estiver infeliz, tente descobrir a razão.
As causas não estão fora de você.
A causa básica está dentro de você - mas você sempre olha para fora, você sempre pergunta: 'Quem está me tornando infeliz?' 'Quem está causando a minha raiva?' 'Quem está causando a minha angústia?'
Se você olhar para fora, você não perceberá. Simplesmente feche os olhos e sempre olhe para dentro. A origem de toda a infelicidade, da raiva e da angústia, está oculta dentro de você, é o seu ego.
E se você encontrar a origem, será fácil ir além dela. Se você puder ver que é o seu próprio ego que lhe causa problemas, você vai preferir abandoná-lo - porque ninguém é capaz de carregar a origem da infelicidade, uma vez que a tenha entendido.
Mas lembre-se, não há necessidade de abandonar o ego. Você não o pode abandonar. E se você tentar abandoná-lo, simplesmente estará conseguindo um outro ego mais sutil, que diz: 'tornei-me humilde'...
Todo o caminho em direção ao divino, ao supremo, tem que passar através desse território do ego. O falso tem que ser entendido como falso. A origem da miséria tem que ser entendida como a origem da miséria - então ela simplesmente desaparece. Quando você sabe que ele é o veneno, ele desaparece. Quando você sabe que ele é o fogo, ele desaparece. Quando você sabe que esse é o inferno, ele desaparece.
E então você nunca diz: 'eu abandonei o ego'. Você simplesmente irá rir de toda essa história, dessa piada, pois você era o criador de toda essa infelicidade...
É difícil ver o próprio ego. É muito fácil ver o ego nos outros. Mas esse não é o ponto, você não os pode ajudar.
Tente ver o seu próprio ego. Simplesmente o observe.
Não tenha pressa em abandoná-lo, simplesmente o observe. Quanto mais você observa, mais capaz você se torna. De repente, um dia, você simplesmente percebe que ele desapareceu. E quando ele desaparece por si mesmo, somente então ele realmente desaparece. Porque não existe outra maneira. Você não pode abandoná-lo antes do tempo. Ele cai exatamente como uma folha seca.
Quando você tiver amadurecido através da compreensão, da consciência, e tiver sentido com totalidade que o ego é a causa de toda a sua infelicidade, um dia você simplesmente vê a folha seca caindo... e então o verdadeiro centro surge.
E esse centro verdadeiro é a alma, o eu, o deus, a verdade, ou como quiser chamá-lo. Você pode lhe dar qualquer nome, aquele que preferir."

OSHO, Além das Fronteiras da Mente.
Copyright © 2006 OSHO INTERNATIONAL FOUNDATION, Suiça.
Todos os direitos reservados.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Muito interessante este artigo. É uma visão para corajosos...

A Doença é um Mestre - Parte 1
Compreender o mal não o cura, mas, sem dúvida alguma, ajuda. Afinal, é muito mais fácil lidar com uma dificuldade compreensível que com uma escuridão incompreensível - Carl Jung.

A medicina alopática interpreta a doença como causa advinda de fora do paciente, impotente diante da ação de microorganismos, ou então como resultado de uma imperfeição da natureza; colocando, em ambos os casos, o doente como uma vítima das circunstâncias.

Entretanto, as medicinas milenares como a hindu Ayurvédica e a Tradicional Chinesa (MTC) interpretam a doença como desarmonias, desequilíbrios do Ser como um todo (holos), holisticamente. E esse todo avalia sintomas no físico, mas também no metafísico (meta = além; físico = matéria): mental, emocional, afetivo, energético, espiritual e suas integrações.

Tais medicinas comprovam também que a saúde plena do homem depende da sua capacidade de perceber afetivamente os desafios da sua existência e interrelação com o universo. E, que as doenças ganham espaço e força quanto mais as percepções sofrem interferências dos desequilíbrios psicoemocionais, ou seja, são imaginárias ou iludidas. E, por essa visão, torna-se evidente que é o espírito que organiza a matéria, e não o físico que cria a essência. Porque afeto, gratidão, bom-humor e harmonia são qualidades 100% espirituais.

A doença é um mestre porque obriga o doente a parar e refletir: minhas ações estão centradas no afeto ou no medo? Na busca da verdade ou no esconderijo das sedações e ilusões? No silêncio ou no lastimar? Em geral, o doente não é vítima inocente de alguma imperfeição da natureza ou de uma condição insalubre. Ele não pegou uma doença, ele construiu, ainda que inconscientemente (porque iludido), a sua doença (*). Se, porventura, podemos culpar bactérias ou toxinas que impregnam nosso organismo e ambiente, podemos dizer também que todos os seres, de certa forma, estão expostos aos mesmos agressores e venenos.

Nosso mundo é inteiramente insalubre e, ao mesmo tempo, pleno de luz e harmonia: atraímos (ou percebemos) a insalubridade ou a pureza como reflexo da nossa afetividade e pensamentos. Deixamos entrar aquilo que, conscientes ou não, permitimos. O doente é responsável por sua doença, que é também um mestre. Entenda: a doença não é uma “cruz”, mas a ponta do tanto de aprendizado, amadurecimento e fortalecimento que podem advir dessa experiência. Os sinais (e sintomas), além da manifestação característica de uma determinada doença, são a expressão física dos conflitos internos (psicoemocionais e espirituais) e têm a função de mostrar ao doente as diferentes facetas de seu momento evolutivo.

A vida, frequentemente, coloca-nos em situações aparentemente repetidas para que possamos absorver delas o aprendizado. Enquanto esse aprendizado não for introjetado, seguirá ocorrendo “o mesmo filme”. Sintomas, portanto, são partes da sombra da nossa consciência (e caos do inconsciente) agora sob holofotes. A doença é uma verdadeira chamada para a transformação, a cura, o crescer, a expansão da consciência.

Estamos permanentemente sedados e crentes nos automatismos psicoemocionais e físicos que impedem a percepção. Um círculo vicioso, porque, uma vez intoxicados, os cinco sentidos (visão, audição, olfato, tato e paladar), que nos tornam presentes e reais, tornam-se cada vez mais imprecisos, presas fáceis da imaginação e ilusão.

Quando essa dormência torna-se perigosa à evolução, surge a doença que, por meio dos seus sintomas, pretende apenas nos despertar: caia na real. A cura verdadeira nunca virá de fora. Estamos permanentemente diante do resgate da consciência. Todos os desequilíbrios são efeitos da inconsciência que não foi inspirada para o consciente. A cura da doença não está nos remédios, mas sim na sintonia com seu ser, seu espírito que deseja evolução. Para que a cura aconteça, use a doença como um mestre. Trata-se da grande tarefa do despertar da nossa identificação com o mundo da forma: o corpo adoece para avisar que nossa parte não visível está sendo usada sem a ajuda da Alma, sem buscar a inspiração, o amparo, o amor, a luz da Criação.

Nesse processo, a doença e seus sintomas são sinais que mostram onde a Alma está bloqueada na percepção dos talentos, dons, missão e significância. Use-os na superação dos desafios, na evolução espiritual. Livrar-se dos sintomas sem que se entenda ou se assimile a natureza da mensagem só irá adiar a cura, a transformação.

A medicina moderna adquiriu uma enorme competência em eliminar a maioria dos sintomas dando uma falsa noção de cura. A questão é que a supressão dos sintomas jamais significará uma cura. A cura verdadeira só acontecerá quando expandirmos a consciência.

(*) Quando o doente é uma criança, embora não conheçamos todos os mistérios da vida e os propósitos de Deus, penso que pode ser um resgate daquele espírito, que apesar de estar num corpo infantil, tem seu processo evolutivo a cumprir. Ao mesmo tempo, entendo que toda a família pode estar "curando-se" diante da doença daquela criança. Ou seja, a doença está sendo um mestre para todo o grupo ou comunidade.

Texto extraído do livro Alimentação Desintoxicante (sexta edição) - Conceição Trucom - editora Alaúde, cuja leitura na íntegra lhe possibilitará a prática desta filosofia de vida com consciência e responsabilidade.

Conceição Trucom é química, cientista, palestrante e escritora sobre temas voltados para a alimentação natural, bem-estar e qualidade de vida.

Reprodução permitida desde que mantida a integridade das informações e citada a autora e fonte.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Os 5 sistemas, os 5 sentidos e os 5 sabores

Na Alimentação Desintoxicante, a principal proposta é a prática do “banho interno DIÁRIO”. Um hábito de vida, divertido e sábio, independente do fato de sermos jovens ou não, magros ou não, vegetarianos ou não, cultos e poderosos ou não. Nesta prática há um foco proposital no favorecimento do “alívio” e limpeza dos 5 sistemas excretores de seus venenos e toxinas.

Tais 5 sistemas excretores são: Fígado e Vesícula, Intestinos Delgado e Grosso, Pele, Pulmões e Rins.

E, tais toxinas, que são inerentes ao corpo humano, estão hoje em níveis exacerbados e abundantes devido aos agitados contextos da vida moderna. Lembrar que toxinas sempre estarão presentes no metabolismo humano, seja por: 1) geração espontânea (endógena), 2) ingestão, 3) inalação, 4) injeção ou 5) penetração cutânea (exógenas).

Entretanto, o favorecimento diário da “desintoxicação e alívio” destes 5 sistemas excretores, apesar de uma compreensão imediata e óbvia de seus benefícios, guarda desdobramentos para a plena saúde física, emocional, psicológica e espiritual que ainda não temos a sua total extensão.

Para refletirmos e chegarmos um pouco mais perto da significância desta “limpeza interna diária” que é a Alimentação Desintoxicante, recorro aos conhecimentos da milenar Medicina Tradicional Chinesa (MTC).

A partir deste conjunto de ensinamentos, pude observar uma ligação mágica entre os 5 Sistemas Excretores, os 5 Sentidos, que são manifestações que comprovam que o Ser está vivo, encarnado; como também com os 5 Sabores, cuja percepção é feita pelas papilas gustativas, localizadas na língua que guarda uma ligação absolutamente estreita com o Coração, a Mente e o Cosmos.

Os papéis que jogam os Órgãos e Vísceras, entre eles os excretores

Segundo a MTC – ver tabela a seguir - são considerados Órgãos: o Coração, o Fígado, os Pulmões, os Rins, o Baço e o Pericárdio.

São consideradas Vísceras: a Vesícula Biliar, o Intestino Delgado, o Intestino Grosso, o Estômago e a Bexiga.

Para a MTC os Órgãos são Yin, não têm contato com o exterior, são maciços e têm como funções fabricar e armazenar as Substâncias Fundamentais, enquanto que as Vísceras são Yang, ocas, têm contato com o exterior e impulsionam as substâncias.

Os principais representantes dos Sistemas Excretores foram grifados, mas segue abaixo uma breve descrição, segundo os ensinamentos da MTC sobre cada um dos órgãos e vísceras do organismo humano.

CORAÇÃO: tem como função fazer circular o Sangue dentro dos Vasos. Manifesta-se na face, abre-se na língua (papilas degustativas), abriga a Mente (a boca é um local de consciência e de extrema importância nas atividades mentais) e guarda o Espírito. Sua emoção é a alegria, controla a sudorese, a coerência da fala, o sono e os sonhos.

FÍGADO: tem como função armazenar o Sangue, manter o livre fluxo de Qi (energia vital) e controlar os tendões. Manifesta-se nas unhas e joelhos. O fígado é responsável pela visão física e metafísica. Sua emoção é a raiva, a ira e também auxilia o controle dos sonhos.

VESÍCULA BILIAR: acoplada ao fígado, é oca e tem a forma de uma cápsula. Armazena e excreta a bile. Controla a coragem e a força de vontade.

BAÇO: tem como função produzir a transformação e transporte dos alimentos para serem absorvidos, por isso exerce papel importante na formação do Sangue e de Qi (energia vital). Mantém o Sangue dentro dos vasos sanguíneos impedindo os extravasamentos, domina as carnes e os músculos, abre-se na boca e manifesta-se nos ábios, responsável pelo paladar. Sua emoção é a preocupação.

PULMÃO: é responsável por dominar o Qi (energia vital) e controlar a respiração. Distribui Qi e Líquidos Orgânicos para todo o corpo, abre-se no nariz, manifesta-se na pele, controla a força da voz, responsável pelo olfato. Sua emoção é a tristeza.

RIM: é responsável por armazenar a nossa Essência e controlar o crescimento, desenvolvimento e a reprodução. Domina o metabolismo da água, recebe Qi do Pulmão, domina os ossos, os dentes, produz a medula e manifesta-se nos cabelos, sua abertura para o exterior é a orelha, responsável pela audição e domina os orifícios inferiores. Sua emoção é o medo.

INTESTINO DELGADO: as suas principais funções são receber, transformar e absorver os alimentos e separar o puro do impuro. Um verdadeiro cérebro, tem a inteligência de separar o que será nutrição e enviar para o Sangue, o que será excreto e liberar para o Intestino Grosso.

INTESTINO GROSSO: as suas principais funções são eliminar as fezes e absorver a água excessiva originária da formação das fezes.

Os 5 Sentidos e os 5 Sabores

A Mente (Shen) além de ser responsável pelas atividades mentais é também responsável pelos órgãos e vísceras do sentido. O sistema Coração (Xin) - Mente (Shen) com sua função de impulsionar o Sangue para nutrir todas as estruturas e de ser a “morada” da Mente (Shen), atuam em conjunto sobre cada órgão/víscera segundo cada especificidade.

Assim o sistema Fígado é responsável pelo sentido da visão (olhos) que necessita de Sangue limpo e saudável para ser nutrido e da Mente para reconhecer os estímulos visuais.

O sentido da audição (ouvidos) pertence ao sistema Rim que também necessita de Sangue limpo e saudável para sua nutrição e da Mente para o reconhecimento auditivo.

O sentido do olfato (nariz) pertence ao sistema Pulmão que desintoxica pela expiração (gás carbônico e outros gases, além de venenos/excessos dissolvidos nos de vapores d’água da expiração) e renova o Sangue com os “novos ares” de uma respiração plena e saudável, para sua nutrição e da Mente para o reconhecimento olfativo.

O sentido do tato (pele) necessita da cognição e da organização das sensações aos estímulos externos, pode-se dizer que pertence aos sistemas Coração/Intestino Delgado e Pulmão/Intestino Grosso que necessitam de Sangue limpo e saudável, além de alimentos biogênicos e bioativos (mais integrais, crus e frescos) para serem nutridos e da Mente para terem os respectivos estímulos reconhecidos.

O sentido do paladar cuja língua na anatomia da MTC é considerada o “broto do Coração (Xin)”. E um fato que nos sugere muita reflexão e estudo: na língua é onde encontram-se as papilas degustativas dos 5 sabores: adocicado, salgado, ácido, picante e amargo. Ou seja, ter as papilas degustativas, “acordadas” e tonificadas com o estímulo de todos os 5 sabores é um conhecimento milenar, muito usado pelas composições alimentares sugeridas pelas medicinas mais antigas da humanidade que são a MTC e a Auyrvédica.

Uma breve reflexão

Ter os 5 sistemas excretores sempre “aliviados” e acordados, tem o poder de nos levar ao uso dos 5 sentidos com mais precisão, nos colocando numa condição mais meditativa ou de “estado de alerta”. Ou seja, o uso pleno dos 5 sentidos nos coloca numa condição de Seres mais vivos e despertos.

E, fazer uso adequado e equilibrado dos 5 sabores em nossa alimentação diária, também pode nos ajudar em todo este processo.

Aliás, um organismo desintoxicado percebe melhor os 5 sabores e deseja fazer uso diário de todos eles com moderação, pois os estímulos às papilas degustativas não depende de quantidade, mas de qualidade. E lembrando: nas papilas degustativas encontra-se o “o broto do Coração”.

Uma curiosidade: a Terapia Floral, que usa a parte mais essencial de uma planta, as flores, para tratar a alma humana, usa a língua como local de administração.

Pode-se observar a amplitude de toda esta integração refletindo sobre a tabela abaixo:

Elementos da MTC Madeira Fogo Terra Metal Água
Órgão Fígado Coração Baço Pulmão Rim
Víscera Vesícula Biliar Intestino Delgado Estômago Intestino Grosso Bexiga
Órgão do Cinco Sentidos Olhos - Visão Língua - Paladar Boca Nariz – Olfato Ouvido - Audição
Tecidos Tendão Vasos Músculo Pele - Tato Ossos
Ornamentos Unhas Face Lábios Pêlos Cabelos
Secreções Lágrimas Suor - Tato Saliva Secreção nasal Escarro
Emoção Agressividade Alegria e prazer Preocupação Tristeza Medo
Sabor Ácido Amargo Doce Picante Salgado
Qualidade do sabor Úmido, quente e leve Seco, frio e leve Úmido, frio e pesado Seco, quente e leve Úmido, quente e pesado
Crescimento e Desen- volvimento Germinação Crescimento Trans- formação Colheita Armaze- nagem


Texto extraído do livro Alimentação Desintoxicante - Conceição Trucom - editora Alaúde.

Conceição Trucom é química, cientista, palestrante e escritora sobre temas voltados para a alimentação natural, bem-estar e qualidade de vida.

Reprodução permitida desde que mantida a integridade das informações e citada a autora e fonte.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Exercício do Capilar - 2 minutos diários

INTEGRAL PERSONAL TRAINER

Prof. Walter Steiner


EXERCÍCIO DO CAPILAR

01) Deite de costas numa colchonete e uma almofada na nuca.
02) Levante os braços e as pernas verticalmente e estique-os o mais possível mantendo a sola dos pés na horizontal.
03) Vibre os membros durante 1 a 2 minutos.
04) Pratique pela manhã e à noite.


A medicina Nishi se fundamente em princípios de várias medicinas e culturas e ela afirma que a força motriz para a circulação do sangue depende não do coração, como diz a medicina tradicional, e sim dos vasos capilares que ligam as artérias e veias (glomos).
O exercício regula as válvulas venosas que promovem o fluxo do retorno sanguíneo, auxiliando, renovando e acelerando a circulação da linfa e daí regenerando os glomos e evitando a velhice prematura.
O exercício estimula também o fluxo do sangue arterial, melhorando a circulação fisiológica, evitando a congestão sanguínea e curando várias doenças circulatórias.
Melhora a função da pele, dos membros e dos pés.
Durante o exercício devemos aumentar gradualmente a altura das pernas até chegar na vertical.
A distância dos pés deve ser igual ao dos dois ombros.
Após o exercício ainda na posição vertical dos membros gire os pés e as mãos durante alguns instantes.
Relaxe e saiba se levantar devagar.

Obs – as coisas da medicina preventiva você só conhecerá praticando. Portanto coragem e mãos à obra.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009