sábado, 24 de outubro de 2009

continuando os grandes textos...para os que querem saber das coisas!

Essa terra é mais que um paraíso...

Osho

Várias vezes eu ouvi você descrever seu trabalho como ‘um experimento para provocar Deus’ e como ‘uma cidade modelo para o futuro.’ Depois veio a ‘Excursão pelo Mundo’. No contexto atual de crise global ascelerada, como você descreveria o seu trabalho agora, e o que está acontecendo àqueles que se reuniram ao seu redor aqui?



Mutribo, são muitas coisas que você perguntou. O mais fundamental é lembrar que o que está acontecendo aqui, não é um trabalho. Chamar isto de trabalho implica tensão, preocupação e medo de fracasso. Isto não é um trabalho, mas um relacionamento brincalhão com a existência.

No que diz respeito ao mundo dos homens, eu não penso que haja muita chance de converter as massas contra seu próprio passado. Elas são criações do passado, e o passado delas vem num crescendo em direção a essa crise que se aproxima. As massas serão afogadas nessa crise. Eu fico triste com isso, mas a verdade tem que ser dita.

Somente algumas poucas pessoas no mundo serão capazes de sobreviver após esse suicídio global, e elas serão as pessoas que estiverem profundamente enraizadas na consciência: alertas, atentas, amorosas e prontas para se desconectar do passado completa e incondicionalmente, e prontas para começar o Novo Homem e a nova humanidade no mundo com o frescor de uma criança. Me agrada o fato de que existem muitas pessoas no mundo capazes de entrar fundo nelas mesmas. A única esperança delas é um ser auto-realizado.

É tarde para fazer alguma coisa para impedir a imensa destruição que está por acontecer. Se nós pudermos proteger apenas uns poucos seres humanos genuínos, isso será o suficiente, mais do que o suficiente. O passado da humanidade tem sido absolutamente acidental; as pessoas têm feito coisas sem saber suas conseqüências. Agora nós estamos sofrendo as conseqüências e não existe jeito de mudá-las.

Por exemplo, toda a ecologia ao redor da terra tem sido destruída. A vida não existe como uma ilha separada; nem um simples homem é uma ilha. Tudo está entrelaçado. Você tem ouvido essas duas palavras, ‘dependência’ e ‘independência’. Ambas não são reais; a realidade é a interdependência. Nós somos todos muito interdependentes uns dos outros – não apenas homens de outros homens, não apenas nações de outras nações, mas árvores e homens, animais e árvores, pássaros e o sol, a lua e os oceanos... Tudo está entrelaçado. E a humanidade passada nunca pensou a esse respeito, que isto é um cosmos. Eles continuaram pensando em termos de considerar tudo separadamente. Era impossível para as pessoas no passado pensar que o homem e as árvores estavam conectados, que eram interdependentes.

Você não consegue viver sem as árvores, nem as árvores conseguem viver sem você. Mas é muito tarde. Árvores com cem anos, duzentos e até quatrocentos anos têm sido destruídas e cortadas para fazer mais papéis para todos os tipos de jornais estúpidos, sem jamais terem qualquer consideração com o que estão fazendo. Vocês não serão capazes de repô-las.

Justamente no Nepal... Infelizmente ele é um dos países mais pobres do mundo. Ele nada possui a não ser o Himalaia eterno e a antiga e densa floresta. Ele vendeu sua floresta para diferentes paises – aquela era a única mercadoria que ele podia vender. Nos últimos 30 anos, metade das árvores do Nepal desapareceram e para os próximos trinta anos, a Rússia comprou os direitos sobre a floresta remanescente. E eles estão cortando as árvores, não da maneira antiga, com um machado, mas com técnicas muito modernas de modo que em um dia milhares de árvores simplesmente desaparecem. Quilômetros de terras estão se tornando desertos.

Essas árvores impediam que os rios do Himalaia descessem com muita força, porque os rios tinham que passar por entre todas essas árvores e elas diminuiam a força do fluxo de água que assim descia mais devagar. Com o tempo os rios alcançavam Bangladesh, onde eles se encontram com o oceano e a quantidade de água que chegava era exatamente o tanto que o oceano podia absorver. Mas agora essas árvores desapareceram.

Os rios estão chegando com grande força e com uma tal quantidade de água que o oceano não consegue absorver tão rapidamente. O oceano devolve a água e Bangladesh está sofrendo continuamente, todo ano, grandes e estranhas enchentes - rios correndo para trás porque o oceano não aceita a água. Elas destroem todas as plantações de Bangladesh. Bangladesh é pobre e essas enchentes estão matando milhares de pessoas, milhares de animais, destruindo milhares de casas. E Bangladesh não pode fazer nada. Está além de seu poder dizer ao Nepal ‘Por favor, não corte as árvores.’ Em primeiro lugar, mesmo se o Nepal parar de cortar as árvores, o estrago já está feito. E, em segundo lugar, o Nepal não pode parar de cortar as árvores, pois elas já estão vendidas para os próximos trinta anos. Eles já pegaram o dinheiro para sobreviver.

Situação semelhante existe em muitas áreas do mundo. Existem muitos gases que estão sendo produzidos pelas nossas fábricas e que nos têm feito consciente de um fenômeno estranho. Esses gases se movem para o alto e fazem buracos numa certa camada chamada Ozônio, uma variedade de oxigênio, que cobre toda a área de ar da terra a duzentas milhas de altitude. O ozônio é totalmente necessário para a humanidade, para os animais, para as árvores, porque nem todos os raios solares são benéficos para a vida. Existem uns poucos raios solares que destroem a vida. O ozônio manda de volta esses raios destrutivos e permite a passagem apenas dos raios benéficos.Agora, grandes buracos têm sido criados pelos gases gerados por nossas fábricas e indústrias, e através desses buracos, raios mortais vindos do sol estão entrando na atmosfera.

Esta terra nunca esteve tão doente; ela nunca enfrentou tantos perigos de novas doenças. Mas, os interesses ocultos não estão prontos para ouvir, para interromper essas fábricas ou encontrar alternativas. E os cientistas estão engajados somente em criar mais armas para guerra. Nenhum governo está pronto para dar apoio aos cientistas para que eles possam criar mais ozônio para preencher esses vazios, os quais, inconscientemente, nós mesmos criamos.

A minha ênfase é que nossos problemas são internacionais, mas as nossas soluções tem sido nacionais. Nenhuma nação é capaz de resolvê-los. Eu considero isso como um grande desafio e uma grande oportunidade: as nações devem ser desmontadas cedendo para um governo mundial.

Isso foi tentado pela Liga das Nações antes da segunda guerra mundial, mas não conseguiu ser bem sucedida. Ela permaneceu apenas como um clube para debates. A segunda guerra destruiu toda a credibilidade da Liga das Nações. Mas a necessidade permaneceu e, por esta razão, eles tiveram que criar a Organização das Nações Unidas, a ONU. Mas a ONU tem sido um fracasso como era a Liga das Nações. De novo, ela ainda é um clube para debates, porque ela não tem poder. Ela é apenas um clube formal, ela não consegue implementar coisa alguma.

Eu gostaria de um governo mundial. Todas as nações deveriam entregar os seus exércitos e suas armas ao governo mundial. Centamente, se existir um governo mundial, nem exercitos serão necessários, nem armas. Com quem você vai guerrear? Será quase impossível encontrar o vizinho mais próximo entre os planetas para algum tipo de guerra.

Nações se tornaram ultrapassadas, mas elas continuam existindo, e elas constituem o problema maior. Se pudéssemos olhar para o mundo como os pássaros olham, uma sensação estranha iria surgir: nós temos tudo, nós só precisamos de uma humanidade.

A Índia possui muito carvão – e carvão não é criado em um dia, leva milhões de anos para a madeira se tornar carvão. E depois de mais outros milhões de anos o mesmo carvão se torna diamante. São os mesmos elementos que constituem o carvão e o diamante. É o carvão submetido a pressão por milhões de anos que cria a coisa mais dura no mundo, o diamante.

A Índia tem muito carvão e a Rússia não tem carvão algum. Mas eles têm uma superprodução de trigo. Metade da população da Índia passa fome; o trigo é necessário, pois não se pode comer carvão. Na União Soviética, no tempo de Stálin, eles queimaram trigo para os trens circularem em suas ferrovias, no lugar de carvão. Eles não possuem carvão, mas agora eles têm plantações com uma produção super tecnológica. Era fácil para eles queimarem trigo, mas eles não sabiam que eles estavam queimando milhões de pessoas que estavam morrendo porque não tinham o que comer.

Os problemas são mundiais.

As soluções também têm que ser mundiais.

E a minha compreensão é totalmente clara, de que existem coisas que em algum lugar podem não ser necessárias, mas em outro lugar a própria vida depende delas. Um governo mundial significa olhar para toda a situação deste globo e deslocar as coisas para onde elas sejam necessárias. Esta é uma humanidade.

Na Etiópia estão morrendo mil pessoas por dia e na Europa eles estão jogando bilhões de dólares em alimentos no mar, porque eles têm uma tecnologia mais avançada para produção. Alguém que esteja olhando pelo lado de fora pensará que a humanidade é demente. Milhares de pessoas morrendo e montanhas de manteiga e outros alimentos sendo jogados no oceano. Num ano recente, quando a América jogou seus alimentos no mar, apenas o gasto para jogá-los no mar foi de dois bilhões de dólares. Não era o custo do produto, era apenas o custo de carregá-lo até o oceano e jogar fora.

A própria América possui trinta milhões de pessoas que não conseguem ter alimentos suficientes. Não é uma questão de dar os alimentos para um outro país, a questão era dar os alimentos para o seu próprio povo. Mas os problemas se tornam mais complicados, porque se você começar a dar alimentos de graça para trinta milhões de pessoas, os outros começarão a questionar, ‘Por que nós temos que pagar pelos nossos alimentos?’ Depois, o preço das coisas começarão a baixar. Com os preços baixos, os fazendeiros não estarão mais interessados em produzir – qual o sentido? Com medo de perturbar a economia, eles deixam trinta milhões de pessoas morrerem nas ruas e continuam jogando os alimentos excedentes no oceano.

E não é apenas isto. Exatamente trinta milhões de pessoas estão morrendo nos hospitais e clínicas da América por problemas causados por excesso de alimentação. Não se pode deixá-las em casa, porque em casa é muito difícil proteger as geladeiras dessas pessoas. Elas estão morrendo porque elas comem demais, e nas ruas existem pessoas que estão morrendo porque não têm o que comer. Uma mesma quantidade: trinta milhões morrendo por excesso de comida e trinta milhões morrendo porque não têm comida suficiente. Sessenta milhões de pessoas poderiam ser imediatamente salvas com uma pequena compreensão.

Mas é preciso olhar para o mundo com os olhos de um pássaro, por toda parte, como uma unidade. Os nossos problemas nos trouxeram a uma situação onde ou nós teremos que cometer suicídio ou teremos que transformar o homem, suas velhas tradições e seus condicionamentos. Os condicionamentos e os sistemas educacionais, as religiões que o homem tem seguido, contribuíram para esta crise. Este suicício global é o resultado final de todas as nossas culturas, todas as nossas filosofias e todas as nossas religiões. Todas elas contribuiram para isso, de maneiras estranhas, pois ninguém jamais pensou no todo, todo mundo esteve olhando para um pequeno pedaço, não se preocupando com o todo. (...)

Ninguém está interessado na crise que se aproxima, a qual não está distante. Este século está para terminar daqui a doze anos. Doze anos não é um longo tempo; quase todo mundo presente aqui será capaz de ver o final deste século. Você será afortunado se não presenciar o fim da vida nesta terra. As preparações estão a caminho para destruir toda a terra. E as pessoas que estão fazendo isso, fazem escondidas atrás de grandes nomes: nações, religiões, ideologias políticas, comunismo.

Parece que o homem existe para todos esses tipos de coisas – comunismo, democracia, socialismo, fascismo. A realidade deveria ser que tudo existisse para o homem, e se fosse contra o homem, não deveria existir de jeito algum. Todo o passado da humanidade é cheio de ideologias estúpidas pelas quais os homens estiveram guerreando nas cruzadas, matando, assassinando, queimando pessoas vivas nas fogueiras. Nós temos que abandonar toda essa insanidade.

Se as nações desaparecerem, a segunda grande doença são as religiões, porque elas têm lutado entre si, têm matado, por razões nas quais ninguém está realmente interessado. Eu nunca encontrei um homem que estivesse realmente interessado em Deus. Se você lhe oferecer cinco rúpias numa mão e Deus na outra, ele pegará as cinco rúpias e dirá, ‘Deus é eterno, nós nos veremos mais tarde. Neste momento, cinco rúpias me serão muito úteis.'

Quem se interessa por Deus, a não ser os sacerdotes? Porque esse é o negócio deles, e eles querem que seus negócios se ampliem. (...)

Se for para o mundo sobreviver, primeiro as nações devem ir; em seguida as religiões também devem ir. Uma humanidade é o bastante – não há necessidade alguma de Índia, Inglaterra e Alemanha. E uma religiosidade é o bastante: meditação, verdade, amor, autenticidade, sinceridade, que não precisam de nome algum – hindu, cristão ou muçulmano – apenas uma religiosidade, uma qualidade, não alguma coisa organizada. No momento em que entra a organização vai haver violência porque existem outras organizações em conflito. Nós precisamos de um mundo de indivíduos sem quaisquer organizações. Sim, as pessoas que tiverem sentimentos semelhantes, jogos e alegrias semelhantes, poderão se juntar. Mas não deverá haver quaisquer organizações, hierarquias ou burocracias.

Primeiro, as nações, segundo, as religiões e terceiro, uma ciência completamente devotada a uma vida melhor, a mais vida, a uma inteligência melhor, a mais criatividade – não para criar mais guerra, não para ser destrutiva. Se essas três coisas forem possíveis, toda a humanidade poderá estar salva de ser destruída pelos seus próprios líderes religiosos, políticos e sociais.

Esta crise que está a caminho é boa, porque ela vai forçar as pessoas a escolherem. Você quer morrer ou quer viver uma nova vida? Morrer para o passado, abandonar tudo o que lhe foi dado como herança do passado e começar fresco, como se você estivesse descendo nesta terra pela primeira vez. E então comece a trabalhar com a natureza não como um inimigo, mas como um amigo, e a ecologia estará logo funcionando novamente, como uma unidade orgânica.

O mal pode ser reparado; não é difícil fazer a terra mais verde. Se muitas árvores foram cortadas, muito mais árvores podem ser plantadas. E com ajuda científica, elas podem crescer mais depressa. Elas podem ter uma folhagem melhor. Diferentes tipos de barragens podem ser construídos nos rios, de modo que eles não inundem pobres países como Bangladesh. A mesma água pode criar muito mais eletricidade e ajudar milhares de povoados a terem luz à noite, a terem calor nos invernos frios.

Isso é uma coisa simples. Todos os problemas são simples, mas os fundamentos básicos são o problema. Aquelas três coisas tentarão de toda maneira não desaparecerem, mesmo pagando com o preço do desaparecimento de todo o mundo. Eles estarão prontos para esse desaparecimento, mas não estarão prontos para declararem. ‘Nós entregamos todas as nossas armas e todos os nossos exércitos a uma organização mundial.’

As funções das nações permaneceriam simples: rede de ferrovias, agências de correio, uma pequena força policial para cuidar de questões internas. Mas não haveria necessidade de exércitos. Milhões de pessoas estão engajadas nos exércitos, os quais são inúteis. Elas poderiam ser colocadas em artes criativas, em fazendas, em jardins. E elas são pessoas treinadas, elas podem fazer trabalhos que outras pessoas não conseguem. Um exército pode construir uma ponte rapidamente – este é o seu treinamento – ele pode construir mais casas para as pessoas.

Agora, se a ciência não estiver mais envolvida apenas com guerras e criando mais armamentos, ela é capaz de criar tanto alimento que cinco vezes mais pessoas do que as que existem hoje poderão viver alegremente nesta terra. Hoje existem apenas cinco bilhões de pessoas. Vinte e cinco bilhões de pessoas poderão viver alegremente sem fome, sem sofrer doenças. Mas a ciência deve ser libertada das mãos das nações, as quais forçam seus cientistas a criar mais armamentos. Os cientistas estão trabalhando quase como prisioneiros.

Eu quero que isso seja conhecido em todo o mundo: se vocês não estiverem prontos para serem um, estejam prontos para desaparecer deste planeta. Mas eu espero que existam pessoas inteligentes que gostariam de sobreviver, que gostariam que este belo planeta crescesse mais lindamente, que esta humanidade crescesse mais inteligente. Eu receio que talvez toda a humanidade não esteja nem mesmo alerta para o perigo que está chegando mais próximo a cada momento.

Mutribo, você está me perguntando, ‘Várias vezes eu ouvi você descrever seu trabalho como ‘um experimento para provocar Deus...’ Ele ainda é o mesmo. Eu ainda estou tentando provocar o Deus dentro de você, o divino dentro de você... Com mais consciência, mais luz, mais vitalidade, mais êxtase.
Pessoas miseráveis são perigosas, pela simples razão que elas não se preocupam se a terra vai sobreviver ou não. Elas são tão miseráveis que no fundo elas podem até sentir que será melhor se tudo acabar. Quem se importa, se você está vivendo na miséria? Somente pessoas felizes, pessoas que estão em êxtase, pessoas que dançam gostariam que este planeta sobrevivesse para sempre. De maneira que meu esforço continua o mesmo: Um experimento para provocar Deus.

‘...e como ‘uma cidade modelo para o futuro.’ No contexto atual de crise global ascelerada, como você descreveria o seu trabalho agora, e o que está acontecendo àqueles que se reuniram ao seu redor aqui.’ Mutribo, ele é o mesmo; nada mudou, porque a crise mundial não mudou.

As pessoas que se reuniram junto a mim estão aprendendo agora como serem mais felizes, como serem mais meditativas, como rir mais, viver mais, amar mais e espalhar o amor e o riso ao redor do mundo. Esta é a única proteção contra armas nucleares. Se todo o globo pudesse aprender a amar e rir, a curtir e dançar, então o Ronald Reagan e o Gorbachev ficariam surpresos... O que aconteceu? Parece que todo o mundo ficou maluco!

Pessoas felizes e satisfeitas, não são pessoas a serem forçadas a matar outras que não lhes fizeram mal algum. Não é de se estranhar que todos os exércitos, ao longo do tempo, têm sido mantidos reprimidos sexualmente, porque pessoas sexualmente reprimidas, provavelmente, serão destrutivas. A própria repressão as força a destruir algo.

Você já observou em si mesmo, quando está feliz, alegre, você quer criar alguma coisa; quando você está sofrendo, se sentindo miserável, você quer destruir algo. Isso é uma vingança. Todos os exércitos são mantidos sexualmente reprimidos, de modo que no momenmto em que eles têm que matar, aquilo se torna a sua alegria; pelo menos suas energias reprimidas estão sendo expressas – naturalmente, de uma maneira muito feia e desumana, mas alguma expressão acontece.

Você já observou? – pintores, poetas, escultores, dançarinos nunca são um povo sexualmente reprimido. Na verdade eles são super sexuais. Eles amam muito e amam muitas pessoas. Talvez uma pessoa não seja suficiente para exaurir o seu amor. Eles têm sido condenados pelos sacerdotes ao longo dos tempos: esses poetas, pintores, escultores, músicos, eles não são tidos como boas pessoas. E este é o único povo que fez alguma coisa bela nesta humanidade, que contribuiu para o mundo com algumas flores de alegria, algumas flores de música, algumas belas danças. O que os sacerdotes fizeram para o mundo? Eles têm queimado mulheres nas fogueiras, chamando-as de bruxas; eles têm matado pessoas que pertencem a outra fé. Eles não têm sido pessoas criativas. Eles não melhoraram a terra e não melhoraram a vida.

Nós precisamos, com essas três mudanças fundamentais, um grande respeito pelas pessoas criativas em qualquer dimensão. E nós devemos aprender a transformar nossas energias de modo que elas não sejam reprimidas, de modo que elas sejam expressas em forma de amor, de riso, de alegria. Esta terra é mais que um paraíso, você não tem outro lugar para ir. Paraíso não é alguma coisa que tem que ser alcançada, ele é algo que tem que ser criado. Isso depende de nós.

Esta crise, Mutribo, dá uma chance para as pessoas corajosas se desconectarem do passado e começarem a viver de uma nova maneira – não o passado modificado, não uma continuação do passado, não o passado melhorado, mas algo totalmente novo.

Encontre maneiras para se relacionar de uma nova forma. Esqueça casamentos, comece a pensar como investigar a vida. Esqueça todas as suas crenças, comece a meditar em busca de encontrar quem você é exatamente, porque encontrando a si mesmo, você terá encontrado a própria essência da existência. Ela é imortal e eterna, e são inexprimíveis a felicidade e a bênção daqueles que a encontraram.

Nós precisamos de mais pessoas alegres ao redor da terra para impedir a terceira guerra mundial. Você vai ficar pasmo, surpreso com a minha resposta. Você pode não ser capaz de descobrir imediatamente que conexâo pode existir entre armas nucleares e pessoas risonhas – mas ela existe. Essas armas nucleares e essas máquinas de guerra destrutivas não conseguem funcionar sozinhas. Elas estão sendo manuseadas por seres humanos, por trás delas existem mãos humanas.

Uma mão que conhece a beleza de uma rosa não pode soltar uma bomba em Hiroshima. Uma mão que conhece a beleza do amor não é a mão que aperta um gatilho carregado de morte. Basta um pouco de contemplação e você compreenderá o que estou dizendo.

Eu estou dizendo, espalhe o riso, espalhe o amor, espalhe valores de uma vida afirmativa, faça crescer mais flores ao redor da terra. Tudo o que é belo, aprecie; e tudo que é desumano, condene. Tire toda esta terra das mãos dos políticos e dos sacerdotes e você terá salvo o mundo, e você terá transformado o mundo em um novo fenômeno, com uma nova consciência humana. E isto tem que ser feito agora, porque o tempo é muito curto. Ao final do século vinte, ou você entrará no primeiro século de uma nova história do homem ou correrá o risco de não haver uma folha viva, nem mesmo uma simples flor silvestre. Tudo poderá estar morto.

Existem experimentos acontecendo na União Soviética, e talvez na América também, com raios mortais. Ao invés de soltar bombas, será muito mais fácil espalhar raios mortais, que simplesmente matam pessoas vivas, animais, pássaros, árvores. Apenas coisas mortas – casas, templos, igrejas – permanecerão. Será realmente um pesadelo. E todos esses raios mortais não são visíveis. Nós sabemos que raios mortais existem; o que eles estão tentando descobrir é como espalhá-los, para alcançar um certo destino e destruir todos os seres vivos que passarem por eles.

O homem tem que se libertar desses monstros. O nosso trabalho aqui, Mutribo, é para ensinar às pessoas consciência, mais estado de alerta, mais amor, mais compreensão, mais alegria e espalhar a dança e celebração ao redor da terra. Reduzindo a uma simples declaração, eu posso dizer: se nós pudermos fazer a humanidade mais feliz, não haverá qualquer terceira guerra mundial. (…)

Autor: Osho– Hari Om Tat Sat – capítulo 5

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

mais um belo texto de quem sabe das coisas...

O Comum e o Extraordinário.

"Osho, por favor, ajude-me a ser feliz, a ser comum.
Eu descobri que todas as minhas preocupações, conflitos e tormentos, têm a ver com esse desejo de ser especial e nada mais.

"Sudha, é impossível ajudá-la, porque você não é comum - ninguém o é, ninguém pode ser.Todo mundo é único e extraordinário. O problema surge quando você começa a tentar ser aquilo que você já é. Aí você fracassa. Se você fosse comum, não haveria nenhuma dificuldade em alcançar o extraordinário. Haveria toda possibilidade. Mas, o peixe está no oceano e ele está tentando estar no oceano. O fracasso será total, ele está condenado a fracassar.
Como você pode ser comum? Toda essa existência é extraordinária. Cada grão de areia numa praia é extraordinário, cada folhinha de grama é extraordinária. E eu não estou falando apenas de lótus e rosas - naturalmente, elas também são extraordinárias - mas uma flor comum de um capim não é comum. Tudo o que existe é divino, como pode ser comum?
Não tente ser comum, caso contrário você vai fracassar e você irá criar miséria para si mesma. Eu mesmo não posso ajudar, eu não posso ir contra o Tao, contra a lei fundamental da vida. Deus só cria o extraordinário. Toda essa existência é especial. Essas gotas de chuva, essa manhã, as pessoas ao seu redor - este momento é extraordinário, ele não pode ser repetido novamente, não, nunca, nem mesmo em toda a eternidade ele poderá ser repetido novamente. Você nunca encontrará essas gotas de chuva caindo novamente, esse som, essa manhã, essas pessoas. Toda essa situação é extraordinária. Ela só acontece uma vez.
Em todo o mundo você não encontrará uma outra Sudha. Você pode seguir procurando, e não apenas neste momento presente, mesmo no passado ou no futuro, e nenhuma Sudha jamais será repetida. É assim que nós somos. E se você começar a tentar ser extraordinária, você estará em dificuldades.
Aceite a si mesma como você é, e aceite o todo como ele é - se você puder compreender que tudo é extraordinário - então você terá se tornado comum.
Sudha, não é que você queira ser extraordinária, você quer ser especial comparada com as outras pessoas. Isso também é absurdo, nenhuma comparação é possível. Como você pode ser comparada com outro alguém? Ninguém é como você. Você não compara um cachorro com um papagaio, ou compara? Não há qualquer similaridade, não há qualquer semelhança, como você pode comparar um cachorro com um papagaio? Ou uma árvore com um homem? Ou uma pedra com um rio? Na verdade, dois indivíduos não são iguais, por isso eles são incomparáveis. Você é você e o outro é o outro.
Compreender isso é ser ambos: comum e extraordinário. Extraordinário no sentido de que a existência somente cria pessoas únicas, e comum no sentido de que todo mundo é extraordinário. Não há nada extraordinário em ser extraordinário, todo mundo é. A comparação desaparece e quando não há comparação, não existe possibilidade de ego.
Você me pede: por favor, ajude-me a ser feliz... Eu só posso ajudá-la a não ser miserável. Eu não posso ajudar você a ser feliz. Mas se você não for miserável, você será feliz. Mas nenhum caminho direto é possível para fazê-la feliz. Se isso fosse possível, eu já teria feito você feliz há muito tempo atrás. Eu não sou miserável, eu já teria dado isso a você se fosse possível. Mas não há qualquer possibilidade.
A felicidade não é algo que possa acontecer com você a partir de fora. Uma vez que você pare de ser miserável, a felicidade acontece, a felicidade brota dentro do seu ser. Ela simplesmente cresce a partir de você, você começa a florescer e os obstáculos são removidos.
E esse parece ser o seu maior obstáculo: você quer ser extraordinária. Eu lhe declaro: Sudha, você é extraordinária. Mas lembre-se de que todo mundo também é. Por isso, agora não há necessidade de se preocupar. Eu lhe garanto, você não precisa provar isso. Deixe que esse obstáculo desapareça. Aceite a sua qualidade de ser extraordinária, curta isso, celebre isso. Walt Whitman diz 'Eu celebro a mim mesmo, eu canto a mim mesmo...' Celebre e cante. Você é extraordinária. Deus não fez outra pessoa como você e nunca fará outra pessoa como você. Somente por uma vez Deus existe como você, em você, nessa forma. Essa forma não se repete.
Então, o que está faltando? Toda a sua miséria está surgindo porque você está tentando se tornar extraordinária. E essa já é a qualidade do seu ser. Tornar-se, não se aplica neste caso. E então, de repente, você verá... Se você puder ver o ponto... Não pense a respeito disso, simplesmente veja o ponto - ele é tão cristalino - e um grande fardo sobre o seu peito irá desaparecer. Assim, você é extraordinária! Respire fundo, relaxe e, de repente, a felicidade está ali.
Felicidade não é alguma coisa que tenhamos que fazer ou produzir por ela. Ela é natural, ela é espontânea. Eu posso ajudá-la a não estar na miséria. A miséria é criação sua, enquanto a felicidade é criação de Deus. Miséria é um presente que você tem dado a si mesma, enquanto felicidade é um presente que Deus tem lhe dado. Mas você se agarra à miséria e quando você se agarra, você a alimenta com esse agarrar.Abandone isso. Comece a dançar e cantar e celebrar. Ponha um fim nisso agora. E não diga 'amanhã', porque o amanhã nunca vem. E não diga 'eu vou pensar mais sobre isso'. Pensar não vai ajudar. Isso é um fato simples. Ou você compreendeu ou você perdeu o ponto.
Deixe-me repetir de novo: todo mundo é extraordinário, assim, ninguém precisa tentar. Não sofra com essa inferioridade desnecessária. E se sofrer com isso, você poderá seguir sofrendo anos e anos, e você continuará criando, e você continuará encontrando novas maneiras e meios. Alguém tem um nariz mais comprido que o seu, aí você se sentirá inferior. Alguém tem o cabelo louro, aí você se sentirá inferior. Alguém tem aqueles belos olhos, aí você se sentirá inferior. Alguém é mais inteligente, aí você se sentirá inferior. Alguém é um pouco mais alto, aí você se sentirá inferior. Se você continuar procurando e buscando miséria, ela estará disponível. Você pode encontrá-la em qualquer pessoa com quem você cruze, você encontrará uma coisa ou outra que está faltando em você. Mas é essa sua maneira de ver as coisas que cria a miséria.
Esqueça todo mundo e simplesmente olhe dentro de você, as dádivas que Deus tem lhe dado. E a gratidão irá surgir. Na verdade não existe razão alguma, nenhuma razão para essa existência existir, nenhuma razão para essa chuva, para essa manhã, para essa melodia, para essa bela canção que as nuvens estão cantando ao seu redor. Se essas coisas não estivessem aí, nós não poderíamos reclamar. Se essas coisas não estivessem aí, nós não poderíamos solicitar que elas estivessem. Essas coisas simplesmente estão aí, sem a nossa solicitação. Elas estão aí. Nós nem mesmo temos que bater na porta, e a porta está aberta. E milhões de dádivas estão sendo derramadas sobre você, simplesmente olhe para essas dádivas e você se surpreenderá. Você se surpreenderá ao ver como você tem perdido essas coisas. Só a alegria de respirar é suficiente para estar agradecido, só a alegria de encontrar um amigo é suficiente para estar agradecido, só a alegria de se sentar em silêncio, sem nada fazer... A alegria de uma manhã ou de um entardecer, a alegria de uma noite... Simplesmente siga procurando por essas alegrias e você as encontrará.
Você só encontra aquilo que você procura.
Você tem estado procurando por miséria, daí você ter criado misérias. Hoje está chovendo e amanhã não estará chovendo, então amanhã você poderá se sentir miserável. Você dirá: 'porque não está chovendo hoje?' E quando estava chovendo, você não estava agradecido.
Comece a se sentir agradecido. A felicidade estará cada vez mais próxima, quanto mais você se tornar agradecido. A gratidão funciona como um magnetismo. A mente reclamante repele a felicidade, ela fecha as portas. Tudo depende de você. Eu posso mostrar para você o caminho, mas é você que terá que caminhar nele. Buda disse 'os budas podem apenas apontar o caminho, eles não podem caminhar por você. Você terá que caminhar. Eu estou mostrando a você o caminho, mas você se tornou muito esperta, eficiente em criar miséria para você mesma. Mude a direção de sua energia, canalize-a em direção à alegria, à beleza... esse cuco cantando lá longe. E pouco a pouco você verá tantas coisas que sempre estiveram ali, mas que você não as estava vendo. Seus olhos estavam cheios de miséria, por isso você estava perdendo tudo isso. Seus olhos estavam anuviados, eles estavam nebulosos, nevoentos. É por isso que você estava perdendo tudo isso.
E a pessoa pode perder por uma pontinha, a pessoa pode perder por um pequeno pensamento. Um pequeno pensamento pode se tornar uma barreira e você pode perder toda a beleza do vasto Himalaia. Você pode estar ali, observando os belos picos do Himalaia e o sol se pondo sobre as neves do Himalaia espalhando um dourado por toda parte, e um pensamento vem à sua mente e o Himalaia desaparece, o pensamento anuvia você. Você se lembra de alguma coisa: no outro dia alguém havia insultado você e isso foi o bastante. Ou você começa a fazer planos para o futuro: 'amanhã eu vou ter que partir' e, aí, o Himalaia desaparece. E o pensamento era tão pequeno, e o Himalaia tão grande... Mas mesmo um pequeno pensamento pode impedir. O pensamento está tão próximo de você e ele pode se colocar no meio. Uma simples partícula de pó pode cair em seus olhos, e só uma pequena partícula, quase invisível, pode tornar você cego, e você não consegue abrir os olhos e não pode ver o sol brilhando.
Sudha, faça apenas uma coisa: comece a abandonar esse conceito de inferioridade, esse conceito de que você tem que ser extraordinária. Veja que mesmo essa sua pergunta contém isso. Você assinou a pergunta assim: ...uma buda comum, Sudha. Mesmo ali, o ego está reivindicando que 'eu não sou algum buda comum. Eu sou um buda comum". Você consegue perceber? 'Os budas são pessoas extraordinárias. Eu não sou como eles. Eu sou um buda comum.' Isso é reivindicar ser extraordinário.
Ajude-me a ser comum.
Você quer ser extraordinariamente comum. O ego pode continuar jogando, jogos sutis. Você terá que olhar completamente, do início ao fim. Simplesmente lembre-se de duas coisas: uma, que você já é aquilo que quer ser, então não há necessidade de fazer qualquer coisa para isso. Você pode chamar isso de comum ou pode chamar de extraordinário, não faz qualquer diferença. Você já é isso e você não conseguirá ser nada além disso. Como você chama isso, não importa. Se você está amando a palavra 'comum' então todo mundo é comum. Se você estiver amando a palavra 'extraordinário' então todo mundo é extraordinário. Lembre-se de mais uma coisa: o que quer que seja que você esteja reivindicando para você, você terá que reivindicar para o todo.E esse é o problema, você gostaria de ser especial, não ser como todo mundo.
Aconteceu...
Existe uma bela parábola...
Um homem adorava Deus por muito anos e sempre ele pedia 'satisfaça apenas um de meus desejos.' Deus já devia estar cansado, aborrecido. Um dia ele apareceu e lhe disse 'OK, você não me deixa em paz. De manhã, de noite, você segue batendo na mesma tecla 'satisfaça um de meus desejos'. 'OK, eu estou aqui, qual é o seu desejo?'
E o homem disse: 'o que quer que eu peça, deverá imediatamente ser dado a mim, esse é o meu desejo.' O homem era muito esperto! Deus, em sua inocência, deve ter pensado que ele iria pedir uma só coisa, mas ele pediu tudo. Ele disse que só tinha um pedido e que era "o que quer que eu peça deverá ser dado imediatamente a mim.' Mas você não pode derrotar Deus, porque a esperteza nunca derrota a inocência. Deus disse 'perfeitamente certo, será como você pede, mas lembre-se de uma coisa: o que quer que você pedir, ao seu vizinho será dado em dobro.'
Agora o homem estava acabado. Meses se passaram e Deus retornava sucessivas vezes. 'Você nada pede...?' Ele parou de rezar e Deus continuava retornar várias vezes, de manhã, de tarde e ele dizia 'O que? Você ainda não pediu?' E o homem ficou muito cheio de Deus. Ele pensou e pensou, mas qualquer coisa que ele tivesse, os vizinhos teriam em dobro. 'Isso não terá fim'. Ele sempre quis ter um belo palácio, "mas qual é o sentido agora? Os vizinhos terão grandes palácios em dobro.' Uma simples idéia estava esmagando ele, estava matando ele. Ele perdeu toda a alegria de viver. Agora não havia qualquer possibilidade de um dia ser feliz, e esse Deus voltava de manhã e de tarde para torturá-lo. Assim, um dia ele disse: 'OK, me dê um belo palácio dourado.'Imediatamente a sua choupana se tornou um palácio dourado, e ele viu que toda a cidade ficou cheia de palácios dourados - palácios maiores, palácios duplos, todos dourados - e o seu era o mais pobre de todos.
Ele procurou então por um advogado, porque a quem você recorre quando algum problema legal surge? O advogado lhe disse: 'não se preocupe.' E naturalmente Deus não poderia vencer um advogado. O advogado lhe disse: 'você peça: faça agora um grande poço em frente à minha casa, sem um muro.' Assim um grande poço apareceu diante de seu palácio e dois poços apareceram diante dos palácios dos demais. O advogado disse: 'agora peça: faça com que um dos meus olhos desapareça.' O homem disse: 'o que você está dizendo?' E o advogado disse: 'simplesmente espere. Lei é lei.' Um de seus olhos desapareceu e ambos os olhos de seus vizinhos desapareceram. Agora, toda a cidade ficou cega... e com dois poços diante de cada palácio dourado... as pessoas começaram a cair nos poços e as pessoas começaram a morrer. E o homem ficou muito feliz. Ele disse 'agora o meu desejo foi satisfeito'.
Assim, eu sei, Sudha, que você estará em dificuldades, pois eu declaro que você é extraordinária, mas todo mundo, todos os seus vizinhos, inclusive o Pramod, são duplamente extraordinários.
E, por favor, não procure por um advogado!"

OSHO - The Sun Rises in the Evening - discurso n. 8 - pergunta n. 1
(Tradução: Sw. Bodhi Champak)

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O rio de sentimentos...

Nossos sentimentos desempenham um papel muito importante por dirigirem todos os nossos pensamentos e ações. Existe em nós um rio de sentimentos, no qual cada gota d'água é um sentimento diferente e cada um depende de todos os outros para sua existência. Para observar esse rio, sentamo-nos à sua margem e identificamos cada sentimento à medida que ele vem à tona, passa por nós e desaparece.

Há três tipos de sentimentos — agradáveis, desagradáveis e neutros. Quando temos um sentimento desagradável, podemos querer afastá-lo. O mais eficaz é voltar à nossa respiração consciente e apenas observá-lo, identificando-o em silêncio para nós mesmos. "Inspirando, sei que há um sentimento desagradável em mim. Expirando, sei que há um sentimento desagradável em mim." Chamar o sentimento pelo seu nome, "raiva", "tristeza", "alegria" ou "felicidade", nos ajuda a identificá-lo com clareza e reconhecê-lo em maior profundidade.

Podemos usar nossa respiração para entrar em contato com nossos sentimentos e aceitá-los. Se nossa respiração for leve e tranqüila — resultado natural da respiração consciente — nossa mente e nosso corpo irão lentamente se tornando leves, tranqüilos e claros. E da mesma forma nossos sentimentos. A observação plenamente consciente se baseia no princípio da "não-dualidade"; nosso sentimento não está separado de nós nem foi causado apenas por algo externo a nós. Nosso sentimento é nosso eu, e temporariamente nós somos esse sentimento. Não submergimos nesse sentimento, nem nos aterrorizamos com ele, tampouco o rejeitamos. Nossa atitude de não nos agarrarmos aos nossos sentimentos e de tampouco rejeitá-los é a atitude de desapego, uma parte vital da prática da meditação.

Se encararmos nossos sentimentos desagradáveis com cuidado, afeição e não-violência, podemos transformá-los naquele tipo de energia que é saudável e que tem a capacidade de nos nutrir. Através da observação consciente, nossos sentimentos desagradáveis podem ser muito esclarecedores para nós, proporcionando-nos revelações e compreensão a respeito de nós mesmos e da nossa sociedade.

Transformando os sentimentos
O primeiro passo ao lidar com os sentimentos é reconhecer cada sentimento no instante em que surge. O meio para isso é a plena consciência. No caso do medo, por exemplo, você recorre à plena consciência, olha para o medo e o reconhece como medo. Você sabe que o medo brotou de você mesmo e que a plena consciência também brotou de você mesmo. Os dois estão em você, não em luta, mas cuidando do outro.

O segundo passo consiste em se tornar uno com o sentimento. Melhor não dizer, "Vá embora, Medo. Não gosto de você. Você não é eu." Muito mais eficaz é dizer, "Oi, Medo. Como é que você está hoje?" Em seguida, você pode estimular esses dois aspectos, a plena consciência e o medo, a se cumprimentarem como amigos e a se unirem. Isso pode parecer assustador, mas, como você já sabe que você é mais do que seu medo, não é preciso se amedrontar. Desde que sua mente esteja alerta, ele fará companhia ao seu medo. A prática fundamental é nutrir a plena consciência com a respiração consciente, para mantê-la alerta, cheia de vida e força. Embora no início sua plena consciência possa não ser muito potente, se você a alimentar, ela se tornará mais forte. Contanto que a sua consciência esteja plena e presente, você não será submerso pelo medo. Na realidade, você começará a transformá-lo no exato instante em que dentro de si der à luz a percepção.

O terceiro passo é o de acalmar o sentimento. Como a consciência plena está cuidando bem do seu medo, ele começa a acalmar-se. "Inspirando, acalmo as atividades do corpo e da mente." Você acalma seu sentimento só por estar com ele, como uma mãe segurando ternamente o filhinho que chora. Ao sentir a ternura da mãe, o neném se acalma e pára de chorar. A mãe é a sua mente alerta, nascida das profundezas da sua consciência, e ela tratará do sentimento da dor. A mãe que segura o bebê forma uma unidade com ele. Se a mãe estiver pensando em outras coisas, a criancinha não se acalmará. A mãe tem de abandonar as outras coisas e apenas segurar seu filhinho. Por isso, não evite seu sentimento. Não diga, "Você não é importante. Você é só um sentimento." Passe a formar uma unidade com ele. Você pode dizer, "Expirando, acalmo meu medo."

O quarto passo é largar o sentimento, soltá-lo. Graças à sua calma, você está à vontade, mesmo em meio ao medo; e sabe que esse medo não vai crescer e se transformar em algo esmagador. Quando você se descobre capaz de tomar conta do seu medo, ele já está reduzido a um mínimo, tornando-se mais brando e menos desagradável. Agora você pode sorrir para ele e deixá-lo partir, mas por favor pare por aqui. Acalmar e largar um sentimento são apenas curas para os sintomas. Você agora tem a oportunidade de se aprofundar e trabalhar na transformação da raiz do seu medo.

O quinto passo é olhar profundamente. Você examina em profundidade o seu bebê — seu sentimento de medo — para ver o que está errado, mesmo depois que o bebê parou de chorar, mesmo depois que o medo se foi. É impossível segurar uma criança no colo o tempo todo. Por isso, você deve examiná-la para ver a causa do que está errado. Com esse exame, você será o que o ajudará a começar a transformar o sentimento. Você perceberá, por exemplo, que seu sofrimento tem muitas causas, intensas e externas ao seu corpo. Se há algo de errado em volta dele, se você conserta a situação, com carinho e cuidado, ele se sentirá melhor. Ao examinar seu bebê, você verá os elementos que o estão fazendo chorar. Ao vê-los, você saberá o que fazer e o que não fazer para transformar o sentimento e se sentir livre.

Esse processo é semelhante ao da psicoterapia. Em companhia do paciente, o terapeuta observa a natureza da dor. Muitas vezes, o terapeuta pode revelar causas de sofrimento que se originaram da forma pela qual o paciente encara a vida, das opiniões que ele tem sobre si mesmo, sobre a sua cultura e o mundo em geral. O terapeuta examina esses pontos de vista e essas opiniões com o paciente, e juntos eles colaboram para libertá-los daquele tipo de prisão em que estava. No entanto, o esforço do paciente é crucial. O professor deve trazer à luz o professor que existe dentro do aluno; e o psicoterapeuta deve trazer à luz o psicoterapeuta que há no íntimo do seu paciente. O "psicoterapeuta interno" do paciente poderá então trabalhar em tempo integral de uma forma muito eficaz.

O terapeuta não trata do paciente simplesmente lhe repassando um outro conjunto de opiniões. Ele tenta ajudar o paciente a perceber que tipos de idéias e de crenças ao seu sofrimento. Muitos pacientes querem se ver livres dos sentimentos dolorosos, mas não querem se livrar das opiniões, dos pontos de vista que são as verdadeiras raízes dos seus sentimentos. Portanto, o terapeuta e o paciente têm que trabalhar juntos para ajudar o paciente a ver as coisas como elas são. O mesmo vale para quando recorrermos à plena consciência para transformar nossos sentimentos. Depois de reconhecermos o sentimento, de nos tornarmos unos com ele, de o acalmarmos o de o largarmos, podemos examinar suas causas em profundidade. Elas muitas vezes se baseiam em percepções incorretas. Assim que compreendemos as causas e a natureza dos nossos sentimentos, eles começam a se transformar.
(Nhat Hanh, Thich. Paz a Cada Passo: como manter a mente desperta em seu dia-a-dia.
Coleção Arco do Tempo. Consultoria de coleção de Alzira M. Cohen; tradução de Waldéa Barcellos;
prefácio do Dalai Lama. Rio de Janeiro: Rocco, 1993. Clique aqui para adquirir o livro.)
Fonte: Site – http://www.dharmanet.com.br/

estudar nutrição sempre é bom...

Por que desintoxicar-se com alimentos orgânicos?
Em 1936, há 70 anos atrás, o Senado Americano já afirmava que o solo das fazendas daquele país estava deficiente de minerais, acarretando carências na grande maioria da população americana. Em 1992, documento publicado por este mesmo Senado revelou que o solo agrícola americano apresentava um déficit de 85% de minerais essenciais contra uma média mundial também alarmante de 75%. Em 2.001 a nutricionista inglesa Shane Heaton revisou 400 trabalhos científicos num projeto da "Soil Association" (instituição de pesquisa britânica) e observou que os teores de minerais e vitaminas dos produtos da agricultura convencional caíram vertiginosamente na última metade do século e, associou esse fato ao crescimento da indústria de suplementos alimentares.

O fato é que na agricultura, existe uma relação direta entre os princípios metodológicos e principalmente a integridade do solo, com a qualidade do alimento produzido. A tecnologia agrícola que ara e mata o solo em sua qualidade e integridade irá gerar alimentos pobres de qualidade e vitalidade.

Assim como nós, a vida do solo necessita de alimento, que é matéria orgânica diversificada. Monoculturas com uso massivo de herbicidas não garantem a vida do solo, nem a saúde da colheita, nem água nos rios. Excesso de plantas invasoras como as ervas daninhas, são plantas indicadoras de deficiências do solo e, se manifestam para possibilitar um saneamento do mesmo. Essa condição empobrecida da terra causa deficiências nas plantas neles cultivadas, que fragilizadas e mais vulneráveis, geram a demanda de mais agrotóxicos.

Portanto eliminar o mato ou a praga sem questionar possibilidades, em princípio anti-econômicas, não é a solução, mas o início de uma morte lenta de todo o eco-sistema.

Diferentemente, num solo vivo, a integridade e biodiversidade da flora e da fauna deste sistema; dispõem para as plantas uma variedade equilibrada de nutrientes, acarretando qualidade nutricional para todos os envolvidos no processo. E mais que isso, a sustentabilidade desta atividade agrícola.

Tal fato explica a qualidade diferenciada que apresenta a composição do alimento cultivado num solo vivo. Bob Smith publicou em 1993 no Journal of Applied Nutrition (pg 35-45) estudo sobre a composição de vários produtos orgânicos comparados aos equivalentes obtidos pela agricultura convencional. Um exemplo, ficou constatado que o trigo orgânico continha 1.300% mais selênio, 540% mais manganês, 430% mais magnésio; e por outro lado apresentou 65% menos chumbo e 40% menos mercúrio, que são metais pesados presentes na composição de alguns agrotóxicos.

Em relação ao milho Bob Smith constatou que o teor de cálcio era 1.800% maior no orgânico, assim como 1.600% mais rico em manganês, 490% em molibidênio, 300% mais selênio; por outro lado com 80% menos alumínio e 80% menos mercúrio.

No geral, os alimentos orgânicos apresentam marcada tendência na redução dos níveis de nitratos (adubos químicos), incremento significativo no teor de vitamina C e outros anti-oxidantes, como também maior disponibilidade protéica.

Portanto, o alimento originário de uma cultura orgânica é evidentemente mais rico em micro-nutrientes, são isentos de agrotóxicos e ainda preservam todo o eco-sistema para que ele permaneça produtivo com qualidade e integridade.

Assim, falando de alimentação desintoxicante, deve estar sendo óbvio que ela pode ter início com a própria seleção do alimento que será usado no preparo dos sucos e receitas desintoxicantes.

A nutrição é o resultado da interação entre o alimento e organismo. Quanto mais intoxicado um organismo, menor a sua capacidade de assimilar o alimento na sua totalidade, maior a sua debilidade e vulnerabilidade às doenças, portanto menor a sua interação e cumplicidade com o alimento.

Assim, a decisão pela desintoxicação associada com a escolha de alimentos orgânicos pode ser uma dinâmica que acelera todo o processo de resgate das qualidades, integridades e equilíbrios. Do solo vivo, obtém-se um alimento vivo que se integra ao Ser vivo.

Assim como nas plantas, a intoxicação é um mal que se instala na baixa produtividade de todos os setores da vida. Ela se manifesta através de uma ou várias dificuldades de saúde, que devem ser entendidos como um sinal de alerta.

O bom senso é promover revisão e mudança de hábitos, de qualidade de vida. O primeiro passo é atenção com o que estamos ingerindo, revitalizando os pensamentos, a auto-estima, o olfato e o paladar para sentir atração para alimentos que realmente nutrem. O segundo passo é deixar o que é resíduo ou excreto saia, seja ele físico, emocional ou mental, deixando espaços novos para o crescimento e a produtividade.

Para finalizar, desintoxicar-se é uma decisão fundamental que irá permitir maior assimilação da vida e interação com a vida.

O alimento orgânico não é uma opção naturalista ou de modismo, mas uma atitude de vida, uma consciência holística, começando por fazer uso ao que de melhor a terra tem, do respeito para consigo, para com a terra e com todos que nos cercam.


Conceição Trucom é química, cientista, palestrante e escritora sobre temas voltados para alimentação natural, bem-estar e qualidade de vida.

Reprodução permitida desde que mantida a integridade das informações e citada a autora e a fonte.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Esta é uma palestra de quem sabe o que está falando. Ela é longa mas muito significativa para quem busca a Saúde Integral!!!

Palestra dada para a Associação Médica em Ahmedabad, Gujarat, Índia.

Rajneesh

O homem é uma doença. As doenças chegam ao homem, mas o homem em si mesmo é também uma doença. Este é o seu problema e também a sua singularidade. Esta é a sua sorte e também o seu azar. Nenhum outro animal na terra tem tal problema, ansiedade, tensão, doença, enfermidade da maneira que o homem os tem. E esta condição em si mesma deu ao homem todo o seu crescimento, toda a sua evolução; porque ‘doença’ significa que não se pode ser feliz onde se está, não se pode aceitar o que se é. Esta própria doença se tornou o dinamismo do homem, sua inquietude, mas ao mesmo tempo é também o seu infortúnio, porque ele está agitado, infeliz e está sofrendo.
Nenhum outro animal exceto o homem tem a capacidade de se tornar louco. A menos que o homem leve algum animal à insanidade, ele não iria enlouquecer por si próprio - não se torna neurótico. Os animais não estão loucos na selva, eles se tornam doidos em um circo. Na selva, a vida de um animal não é desvirtuada, ela se torna pervertida em um zoológico. Nenhum animal comete suicídio; somente o homem pode cometer suicídio.
Dois métodos foram tentados para entender e curar a doença chamada homem. Um é a medicina; a outro é a meditação. Ambos são tratamentos para a mesma doença. Será bom entender aqui que a medicina considera cada doença no homem separadamente - uma abordagem de análise das partes. A meditação considera o próprio homem como uma doença; a meditação considera a própria personalidade do homem como a doença. A medicina considera que as doenças vêm ao homem e depois se vão - que elas são alguma coisa alheia ao homem. Mas lentamente esta diferença tem diminuído e a ciência médica também tem começado a dizer: "Não trate a doença, trate o paciente".
Esta é uma afirmação muito importante, porque significa que a doença não é nada senão uma maneira de viver do paciente. Todas as pessoas não ficam doentes da mesma maneira. As doenças também têm as suas próprias individualidades, suas personalidades. Não é que se eu sofro de tuberculose e se você também sofre de tuberculose, nós dois seremos pacientes do mesmo tipo. Inclusive nossas tuberculoses se apresentarão de duas formas diferentes, porque nós somos dois indivíduos diferentes. Pode também acontecer que o tratamento que cura a minha tuberculose não traga quase nenhum alívio para a sua tuberculose. Assim, bem no fundo, é o paciente que está na raiz, e não a doença.
A medicina trata as doenças no homem muito superficialmente. A meditação trata o homem a partir do seu interior. Em outras palavras pode ser dito que a medicina procura tornar a pessoa saudável a partir de fora. A meditação tenta manter o ser interior de uma pessoa saudável.
Nem pode a ciência da meditação estar completa sem a medicina, nem pode a ciência da medicina estar completa sem a meditação, uma vez que o homem é ambos corpo e alma. De fato é um erro lingüístico dizer que o homem é ambos.
Por milhares de anos o homem pensou que o corpo e a alma de uma pessoa são entidades separadas. Este pensamento deu origem a dois resultados muito perigosos. Um dos resultados foi que algumas pessoas consideraram que o homem era somente a alma e eles negligenciaram o corpo. Tais pessoas trouxeram pouco a pouco desenvolvimentos na meditação mas não na medicina - a medicina não pôde se tornar uma ciência; o corpo foi totalmente negligenciado. Em contraste, algumas pessoas consideraram o homem apenas como o corpo e negaram a alma. Eles fizeram um monte de pesquisas e desenvolvimentos na medicina mas nenhum passo em direção a meditação.
Mas o homem é ambos ao mesmo tempo. Eu também estou dizendo que isto é um erro lingüístico: quando nós dizemos ambos ao mesmo tempo, isto dá a impressão que existem duas coisas, mas conectadas. Não, de fato o corpo e a alma do homem são dois extremos do mesmo pólo. Se for visto na perspectiva correta, nós não seremos capazes de dizer que o homem é corpo mais alma - não é assim. O homem é psicossomático ou somato-psíquico. O homem é mente-corpo ou corpo-mente.
De acordo comigo, a parte da alma que está dentro do alcance de nossos sentidos é o corpo e aquela parte do corpo que está além do alcance dos sentidos é a alma. O corpo invisível é a alma, e a alma visível é o corpo. Eles não são duas coisas diferentes, eles não são duas entidades separadas, eles são dois estados diferentes de vibração da mesma entidade.
Na verdade, esta noção de dualidade tem prejudicado muitíssimo a humanidade. Nós sempre pensamos em termos de dois e acabamos com problemas. Inicialmente nós costumávamos pensar em termos de matéria e energia; agora nós não o fazemos mais. Agora nós não podemos dizer que matéria e energia são separadas. Agora nós dizemos que matéria é energia. A realidade é que usar a velha linguagem está criando dificuldades. Inclusive dizer que matéria é energia não está certo. Existe algo - vamos chamá-lo de X - que visto de uma extremidade é matéria e quando visto da outra extremidade é energia; elas não são duas. Elas são duas diferentes formas da mesma entidade.
Similarmente o corpo e a alma são duas extremidades da mesma entidade. A doença pode começar em qualquer das extremidades. Ela pode começar no corpo e atingir a alma - de fato, o que quer que acontece no corpo, a vibração é sentida na alma. É por isto que algumas vezes acontece que um homem é curado fisicamente de uma doença mas ainda continua se sentindo doente. A doença deixou o corpo; o médico diz que não existe doença, mas o paciente ainda se sente doente e recusa a crer que ele não está enfermo. Todas as várias investigações e testes indicam que clinicamente tudo está bem, mas o paciente se mantém dizendo que ele não se sente bem.
Este tipo de paciente tem realmente preocupado bastante os médicos, porque todos os métodos de investigações indicam que não existe doença. Mas não ter doença não significa que você está saudável. A saúde tem a sua própria positividade. Ausência de doença é somente um estado negativo. Nós podemos ser capazes de dizer que não existe espinho, mas isto não significa a presença da flor; não existir espinho somente significa ausência de espinhos. Mas a presença de uma flor é completamente outra questão.
A ciência da medicina não foi capaz por enquanto de atingir qualquer coisa na dimensão do que é a saúde. Todo o seu trabalho tem sido na dimensão do que é a doença. Se você questiona a ciência da medicina sobre as doenças ela tente dar definições, mas se você pergunta a ela o que é a saúde, então ela tenta lhe enganar. Ela diz que quando não existe doença, então tudo aquilo que permanece saúde. Isto é enganar, não é uma definição. Como pode você definir saúde em relação à doença? É como definir uma flor em relação aos espinhos; é como definir vida em relação à morte, ou a luz em relação à escuridão. É como definir um homem em relação à mulher, ou vice-versa.
Não, a ciência da medicina não foi capaz por enquanto de dizer o que é a saúde. Ela pode nos dizer o que é a doença, naturalmente. Existe uma razão para isto. A razão é que a ciência da medicina só compreende a partir do exterior, somente compreende a manifestação corporal - a partir do exterior somente a doença pode ser compreendida. A saúde pode ser compreendida somente a partir daquilo que está dentro do homem, seu ser mais interior e sua alma. A este respeito a palavra hindi swasthya é realmente maravilhosa. A palavra inglesa health (saúde) não é sinônimo de swasthya. Health é derivado de healing (cura). Saúde (health) significa curado (healed) - aquele que se recuperou da doença.
Swasthya não significa isto, swasthya significa aquele que se estabeleceu dentro de si mesmo, aquele que atingiu a si mesmo. Swasthya significa aquele que é capaz de permanecer dentro de si mesmo, e é por isto que swasthya não é somente saúde. Verdadeiramente não existe nenhuma palavra em qualquer outra língua no mundo comparável à palavra swasthya. Todas as outras línguas no mundo tem palavras que são sinônimos de doença ou de não-doença. O próprio conceito de swasthya que carregamos é o de não-doença. Porém não ter doença é necessário mas não é suficiente para swasthya. Algo mais é requerido - alguma coisa da outra extremidade do pólo, do nosso ser interior. Mesmo se uma doença começa a partir de fora, suas vibrações ecoam até a alma.
Suponha que eu jogue uma pedra em um lago calmo: o distúrbio ocorre somente no lugar onde a pedra bate na água, mas as ondulações produzidas atingem as margens do lago onde a pedra não bateu. Do mesmo modo, o que quer que aconteça com o nosso corpo, suas ondulações atingem a alma. E se a medicina clínica trata somente o corpo, então o que acontecerá com aquelas ondulações que foram até as margens? Se nós jogamos uma pedra no lago e nos concentramos somente no lugar onde a pedra atingiu a água e afundou, então o que acontecerá com aquelas ondulações que agora têm suas próprias existências independentes da pedra?
Uma vez que um homem fica doente, as vibrações da doença entram na alma e é por isto que freqüentemente a doença persiste inclusive depois do corpo ter recebido o tratamento e ter se curado. Esta persistência da doença está lá por causa de suas vibrações que ecoaram até o ser mais profundo da pessoa e para as quais a ciência médica não tem solução por enquanto. Assim a ciência médica sempre irá permanecer incompleta sem a meditação. Nós seremos capazes de curar a doença mas nós não seremos capazes de curar o paciente. Naturalmente é de interesse dos médicos que os pacientes não sejam curados; que somente a doença seja curada, mas o paciente deve sempre voltar!
A doença também pode se originar na outra extremidade. Na verdade, no estado em que o homem está, a doença já está presente lá. No estado em que o homem está, existe um monte de tensão presente dentro dele. Eu já disse antes que nenhum outro animal está doente desta maneira, está impaciente desta maneira, está em tal tensão - e existe uma razão para isto. Nenhuma mente de outro animal tem esta idéia de tornar-se alguma outra coisa. Um cachorro é um cachorro; ele não tem que se tornar um cachorro. Mas um homem tem que se tornar um ser humano, ele ainda não é um. É por isto que nós não podemos dizer para um cachorro que ele é um pouco menos cachorro. Todos os cachorros são igualmente cachorros. Mas no caso do homem, nós podemos razoavelmente dizer que ele é um pouco menos homem. O homem nunca nasce em sua completude.
O homem nasce em estado incompleto; todos os outros animais nascem em sua completude. Não é assim com o homem. Existem certas coisas que ele terá que fazer para ser completo. Este estado de incompletude é a sua doença. É por isto que ele está atormentado durante as vinte e quatro horas do dia. Não é que somente um homem pobre tem problemas por causa de sua pobreza - isto é como nós comumente pensamos. Mas nós não entendemos que se ficamos ricos, somente o nível dos problemas mudam, mas os problemas permanecem.
A verdade é que um homem pobre nunca está numa tal ansiedade quanto um homem rico porque o homem pobre tem pelo menos uma justificativa para os seus problemas - que ele é pobre. Um homem rico não tem nem esta justificativa. Ele não pode nem mesmo especificar a razão para a sua ansiedade. E quando a ansiedade não tem uma causa aparente, ela se torna terrível. Uma razão lhe dá algum alívio, algum consolo, porque então se tem esperança de ser capaz de remover as razões. Mas quando algum problema surge sem nenhuma razão então as dificuldades aumentam.
As nações pobres têm sofrido muito, mas o dia em que elas se tornarem ricas elas irão compreender que os países ricos têm seus próprios sofrimentos.
Eu gostaria que a humanidade escolhesse os sofrimentos do homem rico, não os do homem pobre. Se é uma questão de escolher os sofrimentos, então é melhor escolher aqueles do homem rico. Mas a intensidade da inquietude será elevada.
Hoje, a quantidade de inquietude e ansiedade vivida pelos Estados Unidos é maior do que qualquer outro país no mundo. Apesar de que nenhuma outra comunidade teve a quantidade de facilidades que estão disponíveis nos Estados Unidos hoje, é precisamente nos Estados Unidos que pela primeira vez a desilusão tomou lugar. Pela primeira vez as ilusões foram quebradas. O homem costumava pensar que ele estava em ansiedade devido a algum motivo. Nos Estados Unidos, pela primeira vez ficou claro que o homem está em ansiedade não por causa de algum motivo; o homem ele próprio é a ansiedade. Ele inventa novas ansiedades para si mesmo. A personalidade que está dentro dele pede continuamente por alguma coisa que não está lá. Aquilo que está lá continua se tomando sem sentido todo dia; aquilo que já foi atingido se toma sem sentido, fútil. Existe uma luta contínua por aquelas coisas que não se tem.
Nietzsche disse em algum lugar que o homem é uma ponte esticada entre duas impossibilidades - sempre ansioso para atingir o impossível, sempre ansioso para se tornar completo. É a partir desta ansiedade de se tornar completo que todas as religiões nasceram.
Será bom ressaltar que existiu um tempo na terra quando o sacerdote era também o médico, quando o líder religioso era também o médico. Ele era o sacerdote e ele era o médico. E não será surpresa se chegarmos na mesma situação novamente amanhã. Existirá somente uma pequena diferença: aquele que é um médico será o sacerdote! Isto começou a acontecer nos Estados Unidos, porque pela primeira vez tornou-se claro que a questão não é do corpo somente; e também veio à luz que se o corpo está completamente saudável, então os problemas aumentam muitas vezes, porque pela primeira vez a pessoa começa a sentir a doença que está em seu interior, no outro pólo oposto ao corpo.
Nossos sentidos também necessitam de causas. Se um espinho penetrou a perna de alguém, somente então ele sente a perna. Enquanto o espinho não espeta a perna, se permanece inconsciente da perna. Quando o espinho está na perna, então toda a alma torna-se como uma flecha apontando em direção à perna; ele só percebe a perna e nada mais - naturalmente. Mas se o espinho é removido da perna, então o ser vai necessitar perceber alguma outra coisa. Se a sua fome é satisfeita, boas roupas estão disponíveis para serem usadas, sua casa está em ordem, você tem a esposa que quer... - embora não exista maior calamidade neste mundo do que isto. Não existe fim para o sofrimento de uma pessoa que consegue a esposa que queria. Se você não consegue a esposa que quer, então pelo menos você pode obter alguma felicidade da esperança de conseguir. Isto também é perdido quando você consegue a esposa que quer.
Eu ouvi falar de um asilo. Um homem foi ver o asilo e o superintendente do asilo levou-o para uma turnê. Em frente a um cubículo particular o homem perguntou ao superintendente o que havia de errado com o ocupante. O superintendente replicou que aquela pessoa se tornou louca porque ela não podia ter a mulher pela qual ele estava apaixonado. Em outro cubículo o ocupante estava tentando quebrar as barras, estava batendo no seu peito, estava puxando seus cabelos. Quando perguntado o que havia de errado com este homem, o superintendente replicou que este homem conseguiu a mesma mulher que a outro não pôde ter e tomou-se louco. Mas por ele não ter conseguido a sua amada, a primeira pessoa costumava manter a foto dela perto de sua cabeça e estava feliz em sua loucura, enquanto que a segunda pessoa estava batendo sua cabeça contra as barras! Felizes são aqueles amantes que não conseguem ter as suas amadas!
De fato, aquilo que não conseguimos, nós ansiamos conseguir e assim podemos continuar vivendo nesta esperança. Uma vez que conseguimos, nossas esperanças são despedaçadas e nós nos tornamos vazios. O dia em que o médico tornar o homem livre de seus problemas corporais, neste dia ele terá que começar a outra parte do trabalho. O dia em que o homem se tornar livre de suas doenças corporais, neste dia nós estaremos lhe proporcionando a situação para ele se tornar consciente de suas doenças internas. Pela primeira vez ele terá problemas interiores e irá se espantar que tudo na superfície está bem e ainda assim nada parece estar bem.
Não é surpresa que na Índia, os vinte e quatro tirthankaras eram filhos de reis; Buda era um filho de rei; Rama e Krishna eram todos de famílias reais. Para estas pessoas a inquietude havia desaparecido ao nível do corpo; suas inquietudes viam de dentro agora.
A medicina tenta liberar o homem das doenças superficialmente, no nível do corpo. Mas lembre-se, inclusive se ficar livre de todas as suas doenças, o homem não se torna livre da doença básica de ser um homem. Esta doença de ser um homem é um desejo pelo impossível. Esta doença de ser um homem não será satisfeita com nada, esta doença de ser um homem está tornando fútil tudo aquilo que se alcança e dando importância a tudo aquilo que não se tem.
A cura para a doença de ser um homem é a meditação. Para todas as outras doenças, os médicos têm a cura, a medicina tem a cura; mas para esta doença particular de ser um homem somente a meditação tem a cura. A ciência médica será completa no dia que nós entendermos o lado interior do homem e começarmos a trabalhar com ele também, porque de acordo com o meu entendimento, esta pessoa sem-paz (doente) que está sentada dentro de nós cria mil e uma doenças ao nível do corpo externo.
Como eu já disse, sempre que o corpo se toma enfermo, as vibrações, as ondulações são sentidas na alma. Similarmente, se a alma está doente, então as ondulações atingem o nível do corpo.
É por isto que existem tantos tipos de pacientes no mundo. Não deveria ser assim se a patologia é uma ciência; então não pode haver milhares de pacientes. Mas isto se tomou possível porque as doenças do homem são de milhares de tipos. Alguns tipos de doenças não podem ser curadas pela alopatia. Para estas doenças que se originam na interioridade do homem e viajam para o seu exterior, a alopatia é inútil. Para aquelas doenças que começam no exterior e se movem em direção ao interior, a alopatia é muito bem sucedida. Aquelas doenças que atingem o lado externo a partir de dentro não são doenças corporais absolutamente. Elas somente se manifestam no nível corporal. Seu nível de origem é sempre psíquico, ou ainda mais profundo - espiritual.
Agora, se a pessoa está sofrendo de uma doença em sua psique, isto significa que nenhuma medicina clínica pode dar-lhe algum alívio. De fato ela pode ser prejudicial, porque ela irá tentar fazer algo e no processo, se ela não dá alívio, ela está destinada a fazer algo prejudicial. Somente aqueles medicamentos que são incapazes de causar prejuízo são incapazes de dar algum alívio também. Por exemplo, a homeopatia não pode prejudicar ninguém, porque não existe nenhuma questão de algum alívio proveniente dela também. Mas a homeopatia dá alívio. Ela é incapaz de prover alívio mas isto não significa que as pessoas não recebam alívio.
Mas receber alívio é uma história totalmente diferente; dar alívio é novamente uma história diferente. Estas duas coisas são dois fenômenos separados. As pessoas acabam recebendo alívio porque se a pessoa está criando a doença ao nível de sua psique então ela necessita algum placebo para ela. Ela precisa algum placebo para a sua doença, ela necessita algum consolo, alguma garantia de que ela não está doente, mas está somente carregando a idéia de que está doente. Isto também pode ser conseguido através das cinzas de algum medicamento; pode ser conseguido através da água sagrada do Ganges, etc.
Hoje em dia um monte de experiências estão sendo feitas com o que se pode chamar de medicina ilusória, placebo. Se dez pacientes estão sofrendo da mesma doença, e três deles são tratados pela alopatia, três com a homeopatia e três com a naturopatia, então um resultado interessante é visto: cada uma destas patias está afetando a mesma percentagem de pessoas para o bem e para o mal. Não existe muita diferença nas proporções. Isto cria algum motivo para pensar. O que está acontecendo?
De acordo comigo, a alopatia é a única medicina científica. Mas desde que algo no homem é não científico, a medicina científica sozinha não pode funcionar. Somente a alopatia lida com o corpo humano de uma maneira científica. Mas a alopatia não pode curar cem por cento, porque o homem em seu ser interior é imaginativo, inventivo e projetivo também. Na verdade uma pessoa na qual a alopatia não funciona está doente devido a alguma razão não científica. O que significa estar doente devido a alguma razão não científica?
Estas palavras podem soar muito estranhas. Você sabe que pode haver tratamentos médicos científicos e pode haver também tratamentos médicos não científicos. Eu estou dizendo para você que também pode haver doença científica e doença não científica - maneiras não científicas de cair doente. Todas as doenças que começam no nível da psique de uma pessoa e se manifestam no nível do corpo, não podem ser curadas de uma maneira científica.
Eu conheço uma jovem mulher que ficou cega. Mas a cegueira era psicológica - na verdade seus olhos não estavam afetados. Especialistas de olhos disseram que os olho estavam bons, a garota estava enganando todo mundo. Mas a garota não estava enganando ninguém, porque inclusive se você conduzisse ela em direção ao fogo ela poderia entrar no fogo; ela poderia bater em uma parede e machucar a sua cabeça. A menina não estava louca; ela realmente não podia ver com seus olhos. Mas esta doença estava além dos médicos.
A garota foi trazida para mim e eu tentei entendê-la. Eu vim a saber que ela estava apaixonada por alguém, mas os membros de sua família lhe impediam de ver esta pessoa. Quando repetidamente eu lhe indagava, ela respondia que não tinha desejo de ver mais ninguém no mundo exceto o seu amado. Esta determinação de não ver ninguém exceto o seu amado... e se este tipo de intensidade está presente na determinação, os olhos tomam-se psicologicamente cegos. Os olhos irão se tomar cegos, os olhos irão parar de ver qualquer coisa. Isto não pode ser entendido vendo-se a anatomia dos olhos, porque a anatomia está normal, o mecanismo de visão está funcionando. Somente aquele que vê, que costumava estar atrás dos olhos escapuliu, removeu a si mesmo de lá. Nós experimentamos isto na nossa vida do dia-a-dia, apenas não estamos conscientes disto. O mecanismo de nosso corpo funciona somente enquanto nossa presença está lá atrás dele.
Agora considere um jovem rapaz jogando futebol que machuca a sua perna. Ele está sangrando mas ele não percebe isto. Os outros podem ver que ele está sangrando mas ele mesmo não tem idéia disto. Então quando o jogo acaba depois de meia hora, ele agarra a sua perna e começa a gritar e perguntar quando ele se machucou. Está doendo muito. Agora meia hora se passou desde que ele foi ferido. O machucado em sua perna é uma realidade, os mecanismos sensoriais em sua perna estão funcionando absolutamente bem - desde que são eles que o informam sobre a dor depois de meia hora - então por que não foi a informação conduzida mais cedo? Sua atenção não estava lá com a perna, sua atenção estava no jogo, e tão grande era a sua atenção que não sobrou nada dela para perceber a perna. A perna o estava informando - os músculos, os nervos devem ter se contorcido - a perna deve ter chamado em todas as portas possíveis, ela deve ter pedido uma substituição, mas o homem na substituição estava dormindo. Ele estava dormindo profundamente ou ele estava em outro lugar. Ele estava ausente, ele não estava presente. Quando ele voltou depois de meia hora, então percebeu que havia um machucado na perna.
Eu disse para a família da garota para fazer uma coisa. Eu lhes disse que desde que não lhe era permitido ver a pessoa que ela queria ver, ela cometeu um suicídio parcial - um suicídio de seus olhos. Nada mais estava errado com ela exceto que ela entrou numa fase de suicídio parcial. Deixe seu amado encontrá-la. Eles disseram: "O que isto tem haver com os olhos?" Eu lhes pedi para tentar somente uma vez. E tão logo ela foi informada que tinha a permissão de encontrar o seu amado e que ele iria chegar às cinco horas, ela veio e ficou na porta. Seus olhos estavam bem!
Não, isto não é uma decepção. Agora, experiências com o hipnotismo têm nos mostrado que não existe lugar para a fraude. Isto eu estou lhes dizendo a partir de minhas próprias experiências. Se uma pessoa profundamente hipnotizada recebe uma pedra em sua mão e lhe é dito que é um pedaço de carvão quente, ela irá se comportar exatamente da maneira que faria com um pedaço de brasa em sua mão. Ela irá atirá-la longe, começará a gritar, chorando que foi queimada. Até este ponto isto pode ser facilmente entendido. Mas ela também terá bolhas em suas mãos - e então a dificuldade surge. Se meramente imaginando que existe carvão queimando em sua mão você pode ter bolhas, então é perigoso começar o tratamento destas bolhas no nível do corpo. O tratamento destas bolhas deveria começar no nível da mente.
Como consideramos somente uma extremidade do homem, temos sido capazes de lentamente eliminar doenças que afetam o corpo, mas ao mesmo tempo as doenças originadas na mente aumentaram. Hoje, aqueles que pensam somente em termos de ciência começaram a concordar que pelo menos cinqüenta por cento das doenças são da mente. Isto não é assim na índia, porque para as doenças da mente, primeiramente uma mente forte é requerida. Na índia nós vemos que ainda cerca de noventa e cinco por cento das doenças são do corpo, mas nos Estados Unidos incidentes de doenças da mente estão aumentando.
As doenças da mente geralmente começam no interior e se espalham para o exterior; elas são doenças exteriorizantes, enquanto que aquelas do corpo são interiorizantes. Se você tenta tratar as manifestações corporais das doenças mentais, então ela irá imediatamente encontrar algum outro meio de manifestação. Nós podemos ser capazes de parar os pequenos efeitos da doença mental de um lugar, ou de um segundo ou terceiro lugar, mas ela certamente irá se manifestar em um quarto ou quinto lugar. Ela irá tentar se manifestar no ponto fraco da personalidade do indivíduo. É por isto que muitas vezes um médico não é apenas incapaz de tratar uma doença mas também é responsável pela multiplicação de várias formas de doenças. O que poderia vir através de um única fonte começa a vazar de várias fontes, porque nós construímos diques em diferentes lugares.
De acordo comigo, a meditação é a cura da outra extremidade do ser humano. Naturalmente, os medicamentos dependem da matéria, seus constituintes químicos; a meditação depende da consciência. Não existem tabletes disponíveis para a meditação, ainda que as pessoas estejam tentando. LSD, mescalina, marijuana - milhares de coisas estão sendo tentadas. Milhares de esforços estão avançando para produzir pílulas para a meditação. Mas você nunca pode ter pílulas para a meditação. De fato, tentar fazer tais pílulas é a mesma velha teimosia de somente tratar o nível do corpo, de fazer todos os tratamentos somente a partir de fora. Mesmo sendo dentro que a sua psique é afetada, nós ainda iremos tratar a partir de fora, nunca a partir de dentro. Drogas como mescalina e LSD podem somente produzir uma ilusão de saúde interna, elas não podem criá-las. Nós não podemos atingir o ser mais interno do homem através de nenhum meio químico. Quanto mais nós vamos para dentro, menor será o efeito das substâncias químicas. Quanto mais nós vamos para dentro do homem, menos importante as abordagens físicas e materiais se tomam. Uma abordagem não material, ou nós poderíamos dizer uma abordagem psíquica, faz sentido.
Mas isto não aconteceu até agora por causa de alguns preconceitos. É interessante que os médicos são uma das duas ou três profissões mais ortodoxas do mundo. Professores e doutores médicos se destacam entre as pessoas mais ortodoxas. Eles não abandonam as velhas idéias facilmente. Existe uma razão para isto - talvez seja uma razão quase natural. Se os professores e médicos abandonarem as velhas idéias, tornando-se flexíveis, então eles terão dificuldades ensinando as crianças. Se as coisas são fixas, então eles são capazes de ensinar eficientemente. As idéias deveriam ser definidas, sólidas, e não instáveis e fluídas; então eles podem ter confiança enquanto ensinam estas idéias.
Mesmo os criminosos não requerem a quantidade de autoconfiança que um professor requer. Ele deve ter autoconfiança de que aquilo que ele está ensinando está absolutamente certo; e quem quer que necessite este tipo de autoconfiança a cerca de estar certo em sua profissão toma-se ortodoxo. Professores tornam-se ortodoxos. Isto resulta em grande prejuízo, porque em todos os sentidos a educação deveria ser a menos ortodoxa; de outro modo existirá obstáculos no caminho do progresso. Esta é a razão porque nenhum professor é um inventor. Existem tantos professores em todas as universidades mas os inventos, as descobertas são feitas pelas pessoas de fora. Mais de setenta por cento dos ganhadores do prêmio Nobel são pessoas de fora das universidades.
A outra profissão que é cheia de ortodoxia é a dos médicos. Este também tem as suas razões profissionais. Os médicos têm que tomar decisões muito rápidas. Se eles começam a contemplar enquanto o paciente está agonizando, então somente as idéias permanecerão, o paciente irá morrer. Se o médico é muito não ortodoxo, liberal e pratica novas teorias, faz novos experimentos a todo o momento, então também existe perigo. Ele tem que tomar decisões instantâneas e todos aqueles que têm que tomar decisões instantâneas contam principalmente com o conhecimento do passado; eles não querem se ver envolvidos em novas idéias.
Estas pessoas que estão tomando decisões imediatas todo dia têm que se apoiar no conhecimento passado e este é o motivo da profissão médica estar atrasada em relação às pesquisas médicas por cerca de trinta anos. Isto resulta em muitos pacientes morrendo desnecessariamente, porque o que não deveria ser praticado hoje está na verdade sendo seguido. Mas isto é um risco profissional. E assim alguns dos conceitos dos médicos são bem no fundo muito fundamentalistas. Um deles é sua fé na medicina mais do que no próprio homem - mais fé na química do que na consciência, mais importância é dada para a química do que para a consciência. O resultado mais perigoso desta atitude é que enquanto se dá mais importância para a química, nenhuma experiência será feita na consciência.
Aqui eu gostaria de falar um pouco sobre tais exemplos assim você poderá ter alguma idéia. Ter um trabalho de parto sem dor durante o nascimento de uma criança tem sido um problema muito antigo; como dar nascimento a uma criança sem dor tem sido por muito tempo um questionamento. Naturalmente os sacerdotes são contra isto. Na verdade os sacerdotes são contra a própria idéia de que o mundo poderia se tomar livre da dor e sofrimento; porque eles iriam perder o emprego se não existisse dor neste mundo. Sua profissão não teria mais sentido. Se existe dor, sofrimento e miséria, então existe um apelo, uma prece. Talvez inclusive Deus possa ser totalmente negligenciado se não existir sofrimento no mundo. As pessoas dificilmente rezariam, porque nós lembramos de Deus somente no sofrimento. Os sacerdotes sempre foram contra o parto sem dor. Eles dizem que a dor durante o parto é um processo natural.
Mas ela não deveria estar lá. Chamá-la de um arranjo de Deus é uma falsa idéia. Nenhum Deus quer dar dor durante o nascimento de uma criança. O médico acredita que para o parto de uma criança ser sem dor algum medicamento deveria ser dado, alguma química deveria ser arranjada, anestesia deveria ser dada. Todos estes remédios dos médicos começam no nível do corpo, significando que nós levamos o corpo a um tal estado que a mãe não faz idéia que ela está com dor. Naturalmente as próprias mulheres experimentaram com isto através dos séculos...
É por isto que setenta e cinco por cento dos bebes nascem durante a noite. É difícil durante o dia porque uma mulher é muito ativa e desperta neste período. Quando a mulher está adormecida ela está mais relaxada e é mais fácil para o bebe nascer. Durante a noite elas vão dormir, elas estão mais relaxadas e assim setenta e cinco por cento dos bebes não têm a chance de nascer quando o sol está brilhando; eles têm que nascer na escuridão. Uma mãe começa a criar obstáculos para a criança exatamente a partir do momento que ela está por nascer. Naturalmente mais tarde ela providencia muito mais obstáculos para a criança, mas ela começa a causar dificuldades para a criança mesmo antes do nascimento.
Uma das soluções é fazer alguma coisa através de medicamentos de forma que o corpo se torne relaxado como durante o sono. Estes remédios têm sido usados mas eles têm seus próprios problemas. O maior problema é que nós não confiamos nem um pouco na consciência da pessoa. E na medida que esta confiança na consciência da pessoa continua decrescendo, a consciência começa a desaparecer.
Um médico chamado Lozem tem confiado na consciência humana e ele tem feito milhares de partos de bebes sem dor para as mulheres. Este método é o de cooperação consciente. A mãe tenta cooperar meditativamente, conscientemente, durante o parto, ela o saúda, ela não luta contra ou tenta resistir a ele. A dor que é produzida não é por causa do nascimento da criança, mas por causa da luta que a mãe faz contra ele. Ela tenta comprimir todo o mecanismo do parto. Ela tem medo de que ele será doloroso, ela está temendo o parto. Esta resistência centrada no medo está impedindo a criança de nascer. Enquanto a criança está tentando nascer, existe uma briga entre os dois; existe um conflito entre a criança e a mãe. Este conflito é o responsável pelo sofrimento. Este sofrimento não é natural: ele é proveniente do conflito, da resistência.
Existem dois jeitos possíveis de resolver este problema da resistência. Nós podemos sedar a mãe, se nós trabalhamos no nível do corpo. Mas a coisa a ser lembrada aqui é que a mãe que gera sua criança em um estado de inconsciência nunca pode se tornar uma mãe num sentido mais amplo. E existe uma razão para isto. Quando a criança respira, não é somente uma criança nascendo mas uma mãe também está nascendo. O nascimento de uma criança é na verdade dois nascimentos: por um lado a criança está nascendo e por outro uma mulher comum se torna uma mãe. E se o bebê está nascendo em um estado de inconsciência, nós conseguimos distorcer a relação básica entre a mãe e a criança. A mãe não terá nascido, somente uma enfermeira permanecerá no processo.
Eu não sou a favor de parir uma criança através da sedação da mãe com o auxílio de químicas ou usando meios superficiais. A mãe deveria estar totalmente consciente durante o parto, porque naquela própria consciência a mãe está nascendo também. Se você compreender a verdade desta questão, então isto significa que a consciência da mãe deveria ser treinada para o parto. A mãe deveria ser capaz de dar nascimento ao filho meditativamente.
A meditação tem dois sentidos para a mãe. Um é de que ela não deveria resistir, não deveria lutar. Ela deveria cooperar com tudo o que está acontecendo. Assim como um rio que flui aonde quer que exista uma depressão na terra, assim como os ventos que estão soprando, assim como a queda das folhas - ninguém nem mesmo nota e a folha seca cai da árvore - similarmente ela deveria estar em total cooperação com o que acontece com ela. E se a mãe dá a sua total colaboração durante o parto, não luta contra ele, não fica com medo, torna-se totalmente imersa meditativamente no evento, então haverá o nascimento sem dor, a dor irá simplesmente desaparecer.
Eu estou lhes falando isto a partir de uma base científica. Muitos experimentos têm sido feitos usando este método. O parto se tornará livre de sofrimentos. E lembre-se, isto terá resultados de longo alcance.
Primeiramente, nós guardamos um sentimento de animosidade em relação a coisa ou pessoa que nos traz dor a partir do primeiro momento de contato. Nós mantemos um tipo de inimizade com a pessoa com a qual lutamos em nossa primeiríssima experiência. Isto se torna um obstáculo na formação de um relacionamento amigável. É difícil criar uma ponte de cooperação com a pessoa com a qual nos sentimos em conflito desde o princípio. O relacionamento será superficial. Mas naquele momento em que formos capazes de dar à luz uma criança com cooperação e cheios de consciência...
Isto é muito interessante: até agora nós apenas ouvimos a expressão ‘dores do parto’, mas nós nunca ouvimos a expressão ‘êxtase do parto’ - porque isto não aconteceu até agora. Mas se existe total cooperação, então ‘êxtase do parto’ irá também acontecer. Assim eu não sou a favor do nascimento sem dor, eu sou a favor do nascimento em êxtase. Com a ajuda da ciência médica, no máximo podemos atingir o nascimento sem dor mas nunca o nascimento em êxtase. Mas se nós o abordamos a partir do lado da consciência, então podemos ter o nascimento em êxtase. E a partir do primeiro momento nós iremos ser capazes de construir uma conexão interior consciente entre a mãe e a criança.
Isto foi apenas um exemplo para vocês verem que alguma coisa pode ser feita a partir de dentro também. Quando nós ficamos doentes, tentamos combater a doença somente a partir de fora. A questão é, o paciente está realmente pronto para combater a doença a partir de dentro? E nós nunca nos preocupamos em saber isso. É totalmente possível que ela seja uma doença auto-convidada. O número de doenças auto-convidadas é grande. Atualmente muito poucas doenças vêm por si próprias, a maior parte delas são convidadas. Naturalmente, nós as convidamos muito tempo antes delas chegarem; por esta razão não somos capazes de ver qualquer conexão entre os dois.
Por milhares de anos muitas sociedades no mundo não puderam formar uma conexão entre o intercurso físico e o nascimento da criança porque a diferença de tempo era grande - nove meses. Era difícil para eles relacionar uma causa e efeito tão distantes. E também nem todo intercurso leva ao nascimento de uma criança, assim, obviamente não existia razão para pensar em termos de conexão entre os dois. Foi muito mais tarde que o homem entendeu que o que havia ocorrido nove meses atrás está resultando em um nascimento hoje. Ele pôde formar um relacionamento de causa e efeito. O mesmo acontece conosco com relação à doença. Nós a convidamos algum dia, mas ela virá mais tarde. Muito tempo passa entre os dois eventos e esta é a razão de não sermos capazes de ver alguma conexão entre os dois.
Eu ouvi falar de um homem que estava a beira de se tornar falido. Ele estava com medo de ir ao mercado, para a sua loja. Ele estava com medo inclusive de caminhar nas ruas. Um dia quando ele estava saindo do seu banheiro ele caiu e ficou paralisado. Todos os tipos de tratamentos foram aplicados. Mas nós não queremos aceitar que o homem quis se tornar paralisado. Ele não pensou isto conscientemente, mas este não é o ponto. Nem importa se ele decidiu ou não ficar paralisado - mais provavelmente ele nunca pensou nisto. Mas em algum lugar dentro de sua mente, em seu inconsciente, ele deve ter desejado que ele não pudesse ir ao mercado ou para a loja ou nas ruas. Esta é a primeira coisa.
Em segundo lugar, ele também desejou que as pessoas fossem menos hostis com ele e desejou que elas começassem a mostrar alguma simpatia - estes eram os seus desejos profundos. Obviamente seu corpo irá apoiá-lo. O corpo sempre segue a mente como uma sombra, ele sempre irá apoiar a mente. A mente faz os arranjos. Na verdade nós nunca fazemos idéia de que arranjos a mente tem em seu depósito. Se você jejuou por todo o dia, então você irá ter uma refeição à noite - a mente vai cuidar disto. Ela irá lhe dizer, em seus sonhos, que você jejuou por todo o dia, que você deve estar desconfortável; vamos a uma festa no palácio do rei. E você irá comer lá, à noite, em seus sonhos.
A mente arranja tudo o que o corpo não pôde fazer. Assim a maioria dos sonhos que nós vemos são somente isto - somente substituição. O que nós não podemos fazer durante o dia, nós fazemos à noite. A mente arranja todas estas coisas. Se de repente à noite você sente vontade de ir ao banheiro, isto significa que a mente está soando um alarme. Ela irá enviar você ao banheiro em seu sonho e você irá se sentir menos apertado em sua bexiga. Você irá pensar que está bem e que você esteve no banheiro. A mente arranja para que o seu sonho não seja perturbado. Durante todo o dia e noite a mente está constantemente fazendo arranjos de maneira que todos os seus desejos são preenchidos.
Este homem teve um ataque de hemiplegia e caiu. Agora nós estamos tentando tratar isto. Mas na verdade os medicamentos podem prejudicá-lo, porque ele não tem hemiplegia; ele trouxe a doença para si mesmo. Mesmo se curarmos a sua paralisia então ele irá manifestar uma segunda ou uma terceira ou talvez uma quarta doença. Na verdade até que ele junte coragem para ir ao mercado, ele irá sofrer de uma doença ou outra. E logo que ele fica doente ele descobre que toda a situação mudou. Agora ele tem alguma justificativa para a falência. O que eu posso fazer? - Eu estou paralisado! Agora ele pode dizer para seus credores: "Como eu posso reembolsar vocês? Vocês podem ver a condição que eu estou." Na verdade, quando o credor chegar, ele próprio se sentirá envergonhado de pedir o dinheiro. A sua mulher cuidará melhor dele, os seus filhos irão lhe servir melhor, os seus amigos irão vir encontrá-lo, as pessoas irão circundar a sua cama.
Na realidade, nunca demonstramos o nosso amor por alguém até ele ficar doente. Assim quem quer ser amado tem que ficar doente. As mulheres estão sempre ficando doentes e a razão principal é que para elas esta é a maneira de receber amor. Elas sabem que não existe outro jeito de manter seus maridos em casa. A mulher não pode mantê-lo lá mas a doença pode. Uma vez que nós compreendemos isto, e isto é fixado em nossas mentes, então cada vez que quisermos alguma simpatia nós iremos ficar doentes. Na verdade é perigoso mostrar simpatia para um homem doente; você deveria somente tratá-lo. É perigoso porque através da simpatia você pode estar adicionando sabor para a sua doença e isto será prejudicial.
Nenhum remédio irá curar esta pessoa que teve paralisia; no máximo ela irá mudar de doença, porque na realidade ela não tem a doença, é somente um profundo auto-sugestionamento. A hemiplegia é mental na origem.
Uma história similar é a de outro homem que estava também sofrendo de hemiplegia. Por dois anos ele sofreu e não podia nem se levantar. Um dia a sua casa pegou fogo e todo mundo correu para fora da casa. De repente eles se apavoraram e queriam saber o que aconteceu ao homem doente. Mas então eles o viram vindo - ele estava correndo - e esta pessoa não podia nem se sentar antes. E quando sua família mencionou que ele podia caminhar, ele disse que isto não era possível e caiu ali mesmo.
O que aconteceu a este homem?... e ele não está enganando ninguém. A doença é gerada pela mente, não é gerada pelo corpo. Esta é a única diferença. E esta é a razão do porque quando um médico diz a um paciente que a sua doença está na mente, o paciente não gosta, porque parece que ele está tentando desnecessariamente mostrar que está doente. Isto não está certo. Ninguém quer mostrar que está doente sem razão. Existem razões mentais para ficar doente e estas razões são tão importantes ou talvez mais importantes do que as razões para ficar doente por causa de algum problema físico. E será um erro por parte do médico dizer a alguém, inclusive por engano, que ele está mentalmente doente. O paciente não se sente melhor com esta afirmação; de fato ele se sente rancoroso com o médico.
Nós ainda não fomos capazes de desenvolver uma atitude amorosa em relação às doenças geradas pela mente. Se a minha perna está machucada então todo mundo será simpático, mas se minha mente está machucada então as pessoas irão dizer que é uma doença mental - como se eu tivesse feito alguma coisa de errado. Se minha perna está machucada então eu ganho simpatia, mas se eu tenho uma doença gerada pela mente então eu sou culpado como se fosse minha falta! Não, não é minha falta.
As doenças geradas pela mente têm o seu próprio lugar, mas os médicos não aceitam isto. Esta relutância é porque eles têm tratamento somente para as doenças geradas pelo corpo; não existe outra razão. Está além dele, portanto ele simplesmente diz que isto não é uma doença. Na verdade, ele deveria dizer que está além de seu alcance. Ele poderia lhe aconselhar a achar um tipo diferente de médico. Esta pessoa precisa verdadeiramente de um tratamento que irá começar de dentro e então vir para fora. E é possível que uma coisa muito pequena possa mudar a sua vida interior.
De acordo comigo, a meditação é um tratamento que se expande de dentro para fora.
Um dia alguém veio a Buda e perguntou: "Quem é você? Você é um filósofo, ou um pensador ou um santo ou um yogi?" Buda respondeu: "Eu sou somente um curador, um médico."
Esta resposta dele é verdadeiramente maravilhosa: somente um curador - eu sei alguma coisa sobre as doenças interiores e isto é o que eu discuto com você.
O dia que nós entendermos que teremos que fazer alguma coisa com relação a estas doenças geradas pela mente - porque de qualquer jeito nunca seremos capazes de erradicar completamente todas as doenças geradas pelo corpo - tal dia nós veremos que a religião e a ciência chegaram mais perto uma da outra. Neste dia nós iremos ver que a medicina e a meditação chegaram mais próximas uma da outra. Meu próprio entendimento é que nenhum outro ramo da ciência ajudará tanto quanto a medicina em atravessar esta fenda.
A química não tem nenhuma razão para se aproximar mais da religião até agora. Similarmente, a física e a matemática não têm nenhuma razão para se aproximar mais da religião até agora. A matemática pode sobreviver sem a religião e eu acho que isto irá permanecer verdadeiro para sempre, porque eu não vejo uma situação onde a matemática irá precisar da ajuda da religião. Nem posso conceber um momento no qual a matemática sentirá que não pode se desenvolver sem a religião. Nunca este dia chegará. A matemática pode continuar o seu jogo eternamente, porque a matemática é somente um jogo, não é vida.
Mas um médico não está jogando um jogo, ele está lidando com a vida. Mais provavelmente é o médico que irá se tomar a primeira ponte entre a religião e a ciência. Na verdade isto já começou a acontecer, especialmente nas nações mais desenvolvidas e com mais conhecimentos. A razão é que os médicos têm que lidar com vidas humanas. É o que Carl Gustav Jung disse um pouco antes de morrer. Ele disse que por ser um médico eu posso dizer que todos os pacientes que vieram a mim depois da idade de quarenta anos, basicamente suas doenças eram por causa da perda da religião. É uma questão muito surpreendente. Se de algum modo nós pudermos lhes dar algum tipo de religião então eles se tornarão saudáveis.
Vale a pena entender isto. Quando a vida de uma pessoa declina... Até a idade de trinta e cinco anos ela está subindo, depois disto ela começa a descer. Trinta e cinco é o pico. Então é possível que até a idade de trinta e cinco anos uma pessoa pode não encontrar nenhum valor na meditação, porque até então o homem é orientado pelo corpo; o corpo ainda está ascendendo. Talvez todas as doenças neste estágio sejam do corpo. Mas depois da idade de trinta e cinco anos as doenças tomarão uma nova direção, porque agora a vida começou a se mover em direção à morte. E quando a vida cresce ela expande em direção ao exterior, mas quando o homem morre ele se recolhe para dentro. A velhice é recolher-se para dentro.
A verdade é que mais provavelmente todas as doenças de pessoas velhas estão enraizadas bem no fundo na morte.
Usualmente a gente diz que tal e tal pessoa morreu por causa de tal e tal doença. Mas eu acho que seria mais apropriado dizer que tal e tal pessoa está doente por causa da morte. O que acontece é que a possibilidade da morte toma a pessoa vulnerável para todos os tipos de doenças. Tão logo uma pessoa sente que está se movendo em direção à morte, todas as portas se abrem para as várias doenças e ela começa agarrar-se a elas. Inclusive se uma pessoa saudável fica sabendo com certeza que irá morre amanhã, ela cairá doente. Tudo estava bem, todos os relatórios eram normais; o raio-X era normal, a pressão sangüínea estava dentro dos limites normais, o pulso estava bem; o estetoscópio estava comunicando que tudo estava perfeito. Mas se uma pessoa se torna totalmente convencida de que amanhã ela irá morrer, então você verá que ela começa a apanhar uma variedade de doenças. Ela irá apanhar tantas doenças em vinte e quatro horas que seria difícil apanhá-las em vinte e quatro vidas.
O que aconteceu a esta pessoa? Ela se abriu para todos os tipos de doenças. Ela parou de resistir. Uma vez que ela tenha certeza de sua morte, ela se retira de sua consciência que estava dentro dela agindo como uma parede e formando uma barreira contra todas as doenças. Agora ela se tomou pronta para a sua morte e as doenças começam a chegar. E é por isto que uma pessoa aposentada morre cedo.
Assim todo mundo que deseja se aposentar deveria entender isto antes de se aposentar. Eles morrem mais cedo cerca de cinco ou seis anos. Aquele que poderia morrer aos setenta anos, irá morrer quando ele tem somente sessenta e cinco anos; aquele que poderia morrer aos oitenta anos, irá morrer quando tiver setenta e cinco. Aqueles dez, quinze anos de aposentadoria serão gastos na preparação para a morte, ele não irá realizar mais nada, porque agora ele sabe que ele não tem uso na vida. Não existe trabalho para ele, ninguém o cumprimenta na rua.
Era diferente quando ele estava no escritório. Agora inclusive ninguém olha para ele, porque agora eles têm que cumprimentar outro alguém. Tudo funciona baseado na economia. Novas pessoas estão lá no escritório, assim as pessoas têm que cumprimentá-las. Elas não podem se dar ao luxo de além disto cumprimentar este homem. Elas irão esquecê-lo. Agora ele de repente compreende que se tornou inútil. Ele se sente sem raízes. Ele não tem utilidade para ninguém. Mesmo seus filhos estão ocupados com as esposas, indo ao cinema. As pessoas que ele conheceu, lentamente começaram a acabar no sítio de cremação. Ele se tomou inútil para as mesmas pessoas que precisavam dele antes. De repente ele se tornou vulnerável, ele se abriu completamente para a morte.
Quando a consciência do homem se torna saudável a partir de dentro? Primeiramente, quando ele começa a sentir sua consciência interior. Freqüentemente nós não sentimos o interior; todas as nossas sensações são para o corpo - para a mão, para a perna, para a cabeça, para o coração. Não existe nenhuma sensação de "Eu sou." Toda a nossa consciência está concentrada na casa e não no habitante da casa.
Esta é uma situação muito perigosa, porque se a casa começar a desmoronar amanhã então eu pensarei que estou desmoronando, e este próprio fato se tornará a minha doença. Mas se eu entender que eu sou diferente da casa, eu apenas estou residindo nela - inclusive se a casa ruir - então isto fará uma grande diferença, uma diferença básica. Então o medo da morte irá desaparecer.
Sem meditação o medo da morte nunca desaparece. Então o primeiro significado da meditação é consciência de si mesmo. Enquanto estivermos na consciência, nossa consciência é sempre um estar ciente de alguma coisa, nunca é sobre si mesmo. É por isto que quando nos sentamos sozinhos começamos a nos sentir sonolentos, porque não existe nada para fazer. Se estamos lendo um jornal ou escutando rádio, então nos sentimos despertos. Se deixarmos uma pessoa sozinha em um quarto escuro então ela se sentirá sonolenta, porque uma vez que você não pode ver nada você não precisa de sua consciência. Se você não pode ver nada, então o que você pode fazer a não ser dormir? Parece não haver outra solução. Se você está só, existe escuridão, ninguém para conversar, nada para pensar a respeito, então o sono o envolverá. Não existe outro jeito.
Lembre-se que o sono e a meditação são semelhantes em um sentido, e diferentes em outro. Dormir significa que você está sozinho mas está entorpecido. Meditação significa que você está sozinho mas está acordado. Esta é a única diferença. Se você pode permanecer ciente de si mesmo quando está sozinho...
Um dia uma pessoa sentada com Buda estava mexendo seu dedo do pé. Buda lhe perguntou: "Por que você está mexendo o seu dedo?"
A pessoa respondeu: "Esqueça isto, ele estava apenas se movimentando. Eu inclusive não estava consciente dele."
Buda disse: "Seu dedo está se mexendo e você nem percebe? De quem é o dedo? É seu?"
A pessoa disse: "É meu - mas por que você se desviou do que você estava falando? Por favor continue."
Buda disse: "Eu não irei mais continuar com a minha fala porque a pessoa com quem eu estava falando está inconsciente. E permaneça atento ao movimento do seu dedo no futuro. Isto criará uma dupla atenção em você. Na consciência do dedo irá nascer a consciência do observador também."
A atenção é sempre bi-direcionada. Se nós experimentamos com ela, então um dos lados dela irá para fora e o outro irá penetrar para dentro de você. Assim a meditação básica é começarmos a estar conscientes de nossos corpos e de nós mesmos. E se esta consciência puder aumentar então o medo da morte irá desaparecer.
E a ciência médica que não pode libertar o homem do medo da morte nunca pode curar esta doença que é o homem. Naturalmente que a ciência médica tenta arduamente; ela tenta aumentar o tempo de vida. Mas aumentar o seu tempo de vida somente aumenta o período de espera pela morte e nada mais. E é melhor esperar por um curto período de tempo do que por um longo. Você torna a morte inclusive mais lamentável aumentando o tempo de vida.
Você sabe, existe um movimento acontecendo naqueles países onde a ciência médica está aumentando o tempo de vida das pessoas. Este movimento é pela eutanásia. Os idosos estão exigindo na constituição que eles possam ter o direito de morte. Eles dizem que a vida tornou-se árdua para eles e você está apenas mantendo-os pendurados nos hospitais. Isto se tomou possível: você pode colocar um homem em um cilindro de oxigênio e mantê-lo suspenso indefinidamente. Você pode mantê-lo vivo, mas esta vida será pior do que a morte. Deus sabe quantas pessoas na Europa e nos Estados Unidos estão deitadas nos hospitais de ponta cabeça ou outras posições estranhas, ligadas a cilindros de oxigênio. Elas não têm o direito de morrer e elas estão exigindo o direito de morrer.
Meu entendimento é que pelo final deste século a maior parte dos países desenvolvidos no mundo terão o direito de morrer como um dos direitos constitucionais do homem, porque o médico não tem direito de manter uma pessoa viva contra a sua vontade.
Pelo aumento da idade de uma pessoa você não consegue remover o medo da morte dela. Tornando uma pessoa saudável você pode tornar a sua vida mais feliz mas não sem medo. Destemor só vem em uma situação, quando se chega a entender a partir de dentro que existe algo dentro de si mesmo que nunca morre. Este entendimento é absolutamente essencial.
A meditação é a realização desta imortalidade, de que aquilo que está dentro de mim nunca morre. Somente morre aquilo que está no exterior. E esta é a razão pela qual você deveria tratar o corpo medicamente para que ele viva alegremente enquanto estiver vivo, e ao mesmo tempo tentar estar consciente daquilo que está dentro de você; assim, mesmo que a morte esteja na soleira da sua porta, você não irá ter medo. Este entendimento interior o toma sem medo.
Meditação a partir do interior e medicação para o exterior; assim você pode tomar a ciência médica uma ciência completa.
De acordo comigo, meditação e medicina são dois pólos da mesma ciência onde o elo de conexão ainda está perdido. Mas muito lentamente elas estão chegando mais perto uma da outra. Hoje, na maior parte dos hospitais dos Estados Unidos, um hipnotizador tem se tornado essencial. Mas hipnotismo não é meditação. Entretanto é um bom passo. Pelo menos isto mostra que existe um entendimento de que alguma coisa precisa ser feita com relação à mente do homem, e que somente tratar o corpo não é suficiente.
E eu penso que se um hipnotizador entrou nos hospitais hoje, então amanhã um templo também entrará. Chegará mais tarde, levará algum tempo. Depois do hipnotizados todo hospital terá um departamento de yoga, de meditação. Isto deverá acontecer. Então nós seremos capazes de tratar o homem como um todo. O corpo será cuidado pelos médicos, a mente pelos psicólogos e a alma pelo yoga, pela meditação.
No dia em que os hospitais aceitarem o homem como um todo, como uma totalidade, e então tratá-lo como tal, será um dia de júbilo para a humanidade. Eu peço a vocês para pensarem nesta direção, assim este dia chegará logo.
Eu estou grato que vocês escutaram a minha fala com amor e silêncio. No final eu ofereço minhas saudações ao Deus entronizado dentro de todos vocês. Aceitem minhas saudações.

Fonte: Livro – Osho, O livro da cura
Tradução: Sw Dhyan Yukti
Editora: Shanti